Para o chefe da ONU, pobres não podem arcar com preço da crise

Ban Ki-moon diz em Nova York que Metas do Milênio podem ser atingidas, apesar do ceticismo.

BBC Brasil, BBC

20 de setembro de 2010 | 15h45

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, admitiu nesta segunda-feira, em Nova York, que existe ceticismo quanto ao cumprimento das Metas do Milênio em meio a um cenário de crise global, mas afirmou que os pobres não podem pagar a conta.

"Ser fiel (às Metas do Milênio) significa dar apoio aos vulneráveis, apesar da crise econômica", afirmou Ban, em discurso endereçado a mais de 140 líderes de todo o mundo.

"Não devemos apoiar orçamentos nas costas dos pobres. Não devemos nos afastar da assistência oficial em favor do desenvolvimento, que é uma linha de vida de bilhões para bilhões".

Durante três dias, chefes de Estado e de governo vão se reunir para revisar o progresso no cumprimento das Metas do Milênio. Estabelecidas em 2000, elas pretendem reduzir a pobreza no mundo e melhorar as condições de vida nos países em desenvolvimento até 2015.

Segundo o secretário-geral da ONU, as metas ainda podem ser atingidas se o trabalho necessário for realizado. No entanto, ele disse que "o relógio está andando" e que muito mais deve ser feito para que os objetivos sejam atingidos no prazo final de 2015.

Um dos criadores das Metas do Milênio, o economista americano Jeffrey Sachs, criticou nesta segunda-feira os países ricos por gastarem dinheiro em guerras, em vez de cumprir suas promessas.

Em entrevista à BBC, ele disse que as nações desenvolvidas entregaram, de 2005 até agora, apenas metade dos US$ 30 bilhões anuais que haviam prometido à África.

O Brasil está representado em Nova York pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.