Para Ocidente, falta credibilidade às ofertas iranianas

Não é novidade o Irã dizer aceitar um acordo com as grandes potências. Assim como ninguém se surpreenderia se Teerã, daqui a duas semanas, voltasse atrás no que disse. Na avaliação de analistas, o objetivo é ganhar tempo. Nos últimos anos, o país fez acordos com russos, chineses, alemães, franceses e britânicos, recuando tempos depois. Em outubro, Mahmoud Ahmadinejad afirmou que concordava com a troca de urânio por combustível nuclear. Dias depois, retirou a oferta.

Cenário / Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Seis meses depois, o Irã firmou um acordo com Brasil e Turquia para a troca de urânio. Mais uma vez, a iniciativa parecia ser para ganhar tempo, segundo os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O montante oferecido seria insuficiente, já que o Irã havia enriquecido mais urânio entre outubro e maio. Além disso, o país rejeitou interromper o enriquecimento a 20%.

Agora, o Irã estaria disposto a abdicar do enriquecimento. Mas, em vez de Ahmadinejad dizer isso publicamente, a oferta foi feita pelo chanceler turco. Mais uma vez, a tendência é a de que o Sexteto, composto pelos cinco membros permanentes do CS mais a Alemanha, não levem a sério a proposta, temendo ser mais uma tática protelatória - a não ser que Teerã torne pública a oferta.

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