Denis Balibouse/Reuters
Denis Balibouse/Reuters

Para OMS, politização da pandemia agravou o surto

Diretor-geral da agência da ONU diz que o mundo precisa “de unidade nacional e solidariedade global”

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 05h00

A politização da pandemia de coronavírus agravou o surto global, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na segunda-feira, 22, em um momento em que os casos da doença continuam a aumentar em ritmo alarmante.

“O mundo precisa desesperadamente de unidade nacional e solidariedade global. A politização da pandemia a exacerbou”, disse durante um encontro virtual realizado no World Government Summit, em Dubai. “A maior ameaça que enfrentamos agora não é o próprio vírus, é a falta de solidariedade global e de liderança global.”

Adhanom também pediu aos governos que priorizem o atendimento universal à saúde, informou a agência de notícias Reuters. A declaração do diretor-geral da OMS veio um dia após a OMS relatar seu maior aumento de casos em 24 horas odesde o início do surto. 

No domingo, a agência da ONU informou que registrou mais de 183 mil novas notificações no dia anterior, sendo que mais de 36 mil ocorreram nos Estados Unidos.

Adhanom afirmou que algumas regulamentações internacionais de saúde precisam ser fortalecidas para torná-las “mais adequadas ao objetivo”. Ele, porém, não especificou quais serem essas normas, mas ressaltou apenas que precisavam de “financiamento coordenado, previsível, transparente, de base ampla e flexível” para serem implementadas.

Adhanom também disse que é preciso que os países construam um sistema de saúde universal, que tratem o tema como prioridade, alertando que o mundo aprendeu que sistemas fortes são “a base da segurança global da saúde e do desenvolvimento social e econômico”.

A OMS vem sofrendo repetidos ataques de líderes mundiais – principalmente do presidente dos EUA, Donald Trump. O líder americano acusa a entidade de não adotar uma postura suficientemente dura contra a China, onde o vírus foi detectado pela primeira vez no final do ano passado. Em maio, ele anunciou que os EUA não financiariam mais a agência da ONU.

Líderes europeus, como o presidente da França, Emmanuel Macron, também já cobraram uma investigação sobre a abordagem chinesa. / NYT e REUTERS

 

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