Para ONU e UE, soltura de presos em Cuba não basta

A Organização das Nações Unidas (ONU) e parte da União Europeia (UE) alertam que a decisão de Cuba de libertar 52 presos políticos não é suficiente e apela para que Havana siga com novas medidas para garantir a proteção aos direitos humanos de opositores. "As medidas tomadas por Cuba são encorajadoras e bem-vindas", afirmou ontem o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. "Mas, claro, não podemos ficar apenas nisso. Estamos pedindo mais medidas de reconciliação por parte das autoridades cubanas", disse. "Pedimos o respeito pelos direitos humanos e pelo estado de direito, que são bases da ONU e que acreditamos que devem ser integralmente implementadas."

AE, Agência Estado

20 de julho de 2010 | 08h37

Ricardo Alarcon, presidente da Assembleia Nacional Cubana, aproveitou ontem para responder à pressão pela democratização de Cuba. "A solução última para a sociedade é a democracia. Mas não nos enganemos. Enquanto houver desigualdade entre os homens, a delegação da soberania é uma ficção. Vamos lutar pela democracia. Mas cada qual a sua maneira, sem copiar modelos daqueles que nos levaram ao pior desastre", disse o cubano, em um recado duro aos europeus e norte-americanos que pressionam por mudanças na ilha.

Ban esteve reunido com a diplomacia espanhola nos últimos dias para lidar com o caso dos 52 prisioneiros políticos. "A ONU está seguindo de perto essa liberação", disse Ban. O governo espanhol espera que a iniciativa de Havana comece a convencer os demais governos europeus a modificar sua postura em relação a Cuba.

Em 1996, por iniciativa do ex-presidente do governo espanhol, José Maria Aznar, a UE estabeleceu uma política em relação a Cuba que estabelecia como condições para uma normalização diplomática sinais claros de que a situação de direitos humanos estaria avançando. Agora, o presidente José Luis Zapatero espera acabar com as condicionalidades para permitir o começo da normalização das relações com a ilha.

Madri não esconde que espera usar a iniciativa de Havana para acelerar essa mudança. Mas os governos de França, Itália e Suécia, além de outras capitais européias, rejeitam a tese de mudar a pressão apenas por conta da liberação dos últimos dias. Em Bruxelas, as diplomacias desses países já se reuniram com os espanhóis para alertar que não aceitarão uma nova estratégia diplomática com Cuba. Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

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