REUTERS/Ueslei Marcelino
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Para ONU, isolamento da Venezuela agravará caos social

Entidade diz que muitas mortes, que poderiam ter sido prevenidas, ocorreram por falta de remédios e abastecimento

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 05h00

O crescente isolamento da Venezuela, a violência e a falta de um processo político para superar a crise levaram a ONU a alertar para o risco de uma crise humana no país. Dados obtidos pelo Estado revelam como os órgãos da entidade já trabalham com a possibilidade de um colapso dos serviços públicos e um caos social. 

Um dos aspectos que chama a atenção da organização é a situação da saúde e dos serviços do Estado. De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação Humanitária, “muitas mortes que poderiam ter sido prevenidas ocorreram por conta da falta de remédios e de abastecimento”. 

“A falta de remédios atingiu até 95% do abastecimento requerido em clínicas públicas e privadas em Caracas”, alertou a ONU. A mortalidade infantil aumentou 30%, enquanto a mortalidade materna registrou um salto de 65%, em menos de dois anos.

Doenças sob controle ou que tinham desaparecido voltaram a fazer parte do cenário do país. “A difteria, uma doença que tinha sido erradicada havia duas décadas, voltou em 2016, com 324 casos”, indicou o documento interno da ONU. 

A malária, que havia sido colocada sob controle ainda nos anos 40, voltou a ser endêmica, com os casos dobrando em apenas um ano, atingindo um total de 240 mil pessoas. 

Outra constatação da ONU refere-se à fome. Em alguns dos distritos mais vulneráveis, a fome atinge 9% da população. A má nutrição severa afeta 3,2% das pessoas. Em 2013, o país recebeu um prêmio das Nações Unidas pelo combate à desnutrição. O governo venezuelano não se manifestou sobre os dados do relatório. 

 

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