Para ONU, Israel se excedeu ao interceptar flotilha que ia para Gaza

Trechos do relatório da entidade foram publicados pelo 'New York Times'; texto defende bloqueio

Agência Estado

01 Setembro 2011 | 17h37

NOVA YORK - O inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o ataque israelense contra uma flotilha que se dirigia à Faixa de Gaza em 2010 diz que a ação de Israel foi "excessiva", segundo trechos publicados nesta quinta-feira, 1º, pelo jornal The New York Times. Mas o relatório, que ainda não foi oficialmente divulgado, diz que o bloqueio israelense a Gaza é legal.

 

"A decisão de Israel de abordar os barcos com força substancial a uma grande distância da zona bloqueada e com a advertência final feita imediatamente antes da abordagem foi excessiva e despropositada", diz o inquérito, presidido pelo ex-primeiro-ministro neozelandês Geoffrey Palmer.

 

O documento afirma, porém, que a flotilha de seis navios "agiu de forma imprudente ao tentar romper o bloqueio naval" estabelecido por Israel ao sitiado território palestino litorâneo governado pelo Hamas.

 

A investigação pede que Israel faça "um comunicado adequado de desculpas" pelo ataque e pague indenização às famílias dos mortos, bem como às vítimas feridas. Oito turcos e um americano de origem turca morreram no ataque ocorrido em 31 de maio de 2010.

 

Turquia e Israel devem retomar plenamente suas relações diplomáticas, "restaurando o relacionamento entre eles pelo bem da estabilidade no Oriente Médio", prossegue o relatório.

 

A publicação do relatório já foi adiada várias vezes por causa das tensões diplomáticas entre os dois lados. O documento ainda não foi entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que vai decidir a data da publicação oficial. Um porta-voz da ONU disse nesta quinta-feira que o relatório deve ser entregue a Ban nos próximos dias.

 

Prazo para pedido de desculpas

 

Dois jornais turcos informaram nesta quinta-feira que o ministro de Relações Exteriores da Turquia estabeleceu esta semana como o prazo final para um pedido de desculpas de Israel pelo ataque à flotilha.

 

A data que a ONU deve divulgar seu relatório é o prazo final. Se não houver um pedido de desculpas até a publicação, colocaremos em ação nosso plano B", disse o chanceler Ahmet Davutoglu, segundo as edições impressas dos jornais Hurriyet e Zaman.

 

Davutoglu não especificou que medidas a Turquia tomaria contra Israel, mas o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan deu a entender no mês passado que a Turquia poderia apoiar possíveis ações judiciais de familiares das vítimas contra Israel.

 

Os jornais informaram que a Turquia também estuda reduzir suas relações diplomáticas, cortar ligações econômicas e a cooperação militar com Israel, além de dar amplo apoio ao pedido de reconhecimento do Estado palestino.

 

Além do pedido de desculpas, a Turquia também exige pagamento de indenização às famílias das vítimas e o fim do bloqueio total de Israel à Faixa de Gaza, estabelecido em 2007. Apesar de o Hamas governar Gaza internamente, Israel controla as fronteiras terrestres, o espaço aéreo e os limites marítimos do território.

 

Uma investigação israelense sobre o ataque inocentou o Exército e o governo de Israel de qualquer delito e considerou que a defesa armada ao bloqueio a Gaza é justificada pela lei internacional.

 

No entanto, uma comissão que investigou o ataque refutou as afirmações de Israel sobre autodefesa e considerou que os soldados israelenses usaram força "excessiva, indiscriminada e desproporcional" contra civis desarmados. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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