Para ONU, rebeldes queriam seqüestrar autoridades do Timor

Organização afirma que Reinado não queria matar presidente e premiê; estado de Ramos Horta é estável

Efe,

14 de fevereiro de 2008 | 00h46

O ex-militar timorense Alfredo Reinado não quis matar e sim seqüestrar o presidente do Timor Leste, José Ramos Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, atacados na segunda-feira, segundo os investigadores liderados pela Polícia da ONU. A nova hipótese reduziria as tensões criadas no país após a divulgação de um suposto documento no qual a Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin) ofereceu US$ 10 milhões a Reinado para que matasse os dois governantes, informou nesta quinta-feira, 14, o jornal australiano The Sydney Morning Herald. O Fretilin, liderado pelo ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri - forçado a renunciar em meados de 2006 por uma crise promovida pelo próprio comandante rebelde - negou essa informação, e assegurou que o documento é uma tentativa de desestabilizar o país. Segundo os analistas, este rumor seria usado como desculpa pelos seguidores de Reinado para iniciar uma nova onda de violência como a que deixou 37 mortos, mais de 100.000 deslocados e obrigou a desdobrar forças internacionais de paz no Timor Leste. A crise foi desencadeada por causa da expulsão do Exército timorense de 600 soldados que denunciaram corrupção e nepotismo na corporação. Reinado foi enterrado nesta quinta-feira em Díli, patrulhada desde a segunda-feira por soldados e policiais locais e estrangeiros, que estabeleceram um forte dispositivo com postos de controle em diversas ruas da cidade. Ramos Horta, internado num hospital de Darwin (Austrália), encontra-se em estado estável e pode receber alta em duas ou três semanas, enquanto Gusmão saiu ileso do ataque. O Parlamento do Timor Leste aprovou na quarta-feira à noite a prorrogação até o dia 23 de fevereiro do estado de exceção declarado na segunda-feira para manter a calma no país.

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