Para ONU, situação nos territórios palestinos "nunca foi pior"

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland, afirmou nesta sexta-feira que a situação nos territórios palestinos "nunca foi pior que nos últimos dias", e pediu que Israel mantenha abertos nos cruzamentos de fronteira da Faixa de Gaza, para garantir a entrada da ajuda de emergência. "Pedimos que a fronteira se mantenha aberta para a passagem da assistência humanitária e do combustível necessários para os geradores de energia", que tornam possível o funcionamento de certos serviços básicos, principalmente de hospitais, disse Egeland ementrevista coletiva.Ao expor a situação em Gaza como conseqüência do aumento da violência que se estendeu nos últimos dias no Líbano, Egeland alertou que "a crise social está se transformando em humanitária, com 1,4 milhão de civis no meio do fogo cruzado" entre as milícias palestinas e as tropas israelenses.O subsecretário-geral lembrou que "nenhuma das crianças e poucos dos adultos afetados (pelos ataques mútuos) tinham alguma coisa a ver com o uso totalmente inaceitável da violência por ambas as partes".Por isso, fez um chamado "aos grupos extremistas de Gaza e do sul do Líbano para que detenham suas provocações" a Israel. E pediu aos israelenses que não utilizem a força de maneira desproporcionada.Egeland considerou que as ações desses movimentos "parecem querer provocar uma resposta sem se levar em conta que são os civis, especialmente as crianças e mulheres, os que mais sofrem" e lembrou que têm a obrigação, segundo as normas internacionais, de protegerem a população civil.Três soldados israelenses se encontram atualmente seqüestrados - um é refém de milícias palestinas, incluindo o braço armado do grupo islâmico Hamas, que está à frente do governo palestino, e os outrosdois estão sob poder do movimento xiita libanês Hisbolá. Situação incontrolávelEgeland expressou o temor das Nações Unidas de que a situação no Oriente Médio se torne "totalmente incontrolável", por isso pediu "contenção" a todas as partes do conflito.De maneira específica, assinalou que não deve haver mais"respostas desproporcionadas, nem foguetes de fabricação caseira contra Israel". Paralelamente, pediu a libertação de todos os reféns.Além disso, o subsecretário-geral da ONU pediu a Israel que "repare a infra-estrutura civil que destruiu" e que transfira a arrecadação com impostos e taxas às importações, "porque é dinheiro palestino e seria uma grande contribuição para o fornecimento de serviços básicos à população" de Gaza.SaúdePor outra parte, Egeland mencionou que a situação de saúde está piorando rapidamente e como exemplo citou o fato de os casos de diarréia infantil terem duplicado em apenas uma semana.O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários indicou que essa deterioração da saúde da população torna urgente a garantia da entrada de remédios básicos à região, uma vez que os estoques só serão suficientes para 20 dias.Antes de tais declarações, o responsável por coordenar as tarefas humanitárias da ONU se reuniu com representantes de 30 países doadores, perante os quais expôs a situação e as necessidades mais urgentes da população de Gaza.No início deste ano, as Nações Unidas pediram à comunidade internacional US$ 383 milhões para financiar suas atividades nos territórios palestinos ocupados, mas ainda faltam US$ 117 milhões, o que equivale a 31% do total.Egeland se mostrou satisfeito com o resultado dessa reunião - que, segundo disse, foi coordenada por ONU, Espanha, Noruega e Suécia -, pois vários Governos expressaram sua vontade de contribuir economicamente para reforçar a assistência humanitária em Gaza.Nesse sentido, destacou os casos do Japão e Estados Unidos, que se comprometeram a fornecer US$ 50 milhões cada um, enquanto outros países disseram que nos próximos dias anunciarão o montante de suas doações.

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