EFE/MIGUEL GUTIERREZ
EFE/MIGUEL GUTIERREZ

Para MUD, impugnação da eleição de deputados é ‘golpe judicial’

Coligação opositora já havia acusado o governista PSUV de ter entrado com um recurso no Tribunal Superior de Justiça contra a proclamação de 22 deputados eleitos no dia 6 de dezembro

O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2015 | 11h37

CARACAS - A aliança opositora da Venezuela, Mesa da Unidade Democrática (MUD), disse na terça-feira que a impugnação da eleição de 8 de seus 112 deputados é a continuação de um suposto "golpe judicial" que a própria coligação havia denunciado na semana passada.

"Nós queremos denunciar que esta é a continuidade do golpe judicial denunciado em 22 de dezembro. Naquela oportunidade, houve uma intensa mobilização da opinião pública nacional e internacional que paralisou em primeira instância aquela manobra", disse o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba.

O porta-voz da coalizão opositora se referiu à acusação feita pela MUD há uma semana, em que afirmou que o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) havia interposto um recurso no Tribunal Superior de Justiça (TSJ) contra a proclamação de 22 deputados eleitos no pleito de 6 de dezembro.

O PSUV e outros partidos aliados do governo obtiveram 55 cadeiras nas eleições legislativas, menos da metade das 112 da MUD, que terá a maioria de dois terços do Legislativo quando os deputados tomarem posse no dia 5 de janeiro.

"Denunciamos uma manobra desonesta do governo". "Naquela oportunidade, o TSJ teve uma conduta estranha. Mandaram um comunicado no fim da noite dizendo 'nós não estamos aqui, estamos de férias', uma coisa muito estranha", comentou Torrealba.

O Supremo negou no dia, por meio de um comunicado, que tivesse recebido qualquer solicitação de impugnação de deputados opositores e acrescentou que a Sala Eleitoral não havia trabalhado naquela semana e que não tinha recebido nenhum recurso.

No entanto, na terça-feira o Supremo confirmou o recebimento das ações, conjuntamente com as solicitações de seis medidas cautelares para suspender os efeitos das eleições de seis sessões eleitorais em três estados do país, segundo uma ata divulgada para os meios de imprensa pelo órgão judicial.

"Hoje, o governo, a cúpula corrupta e derrotada, acredita que por estar perto de 31 de dezembro, do ano-novo, pode realizar essa artimanha. No entanto, informamos que não será assim. O governo é o primeiro a ser afetado por esta situação, o primeiro a ser deslegitimado com esta situação", declarou Torrealba.

Na prática, se a corte impugnar a vitória dos novos legisladores, a oposição perderia a maioria de 112 parlamentares que conseguiu na última eleição. A maioria qualificada de dois terços permite que os opositores, entre outros poderes, demitam funcionários públicos, busquem uma saída antecipada do presidente, aprovem reformas econômicas e uma anistia para os presos políticos. /EFE

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