Atef Safadi/EFE
Atef Safadi/EFE

Para palestinos, novo governo de Israel é igual ao que saiu

No entanto, primeiro-ministro palestino ponderou que o fim do mandato de Netanyahu encerra o pior período da história do conflito 

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 19h21

JERUSALÉM - A queda do premiê Binyamin Netanyahu não significa um avanço da paz com os palestinos. O novo governo israelense, liderado por Naftali Bennett, um defensor dos colonos, é tão ruim quanto o anterior, disse nesta segunda-feira, 14, o primeiro-ministro palestino, Mohamed Shtayeh

“Este novo governo é igual ao anterior. Nós condenamos os anúncios do novo primeiro-ministro, Naftali Bennett, em apoio aos assentamentos israelenses”, disse Shtayeh. “O novo governo não tem futuro se não levar em consideração o povo palestino e seus direitos legítimos.”

Nesta segunda-feira, a frase que mais se ouvia entre os palestinos para definir o novo governo, seja em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia ocupada ou na Faixa de Gaza, era: “Mais do mesmo”.

Para o analista palestino Hamada Haber, a diversidade de ideologias do novo governo e a mínima maioria que possui no Parlamento impedirão qualquer reaproximação com as autoridades palestinas, o que ele acredita que causaria o colapso do gabinete. 

Além disso, de acordo com Haber, a Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia, está muito enfraquecida após os 11 dias de conflitos em maio, liderados pelo Hamas, na Faixa de Gaza, que teria se transformado no principal interlocutor dos palestinos. 

No entanto, Shtayyeh ponderou que o fim do mandato de Netanyahu encerra o pior período da história do conflito. "Os 12 anos contínuos de Netanyahu no poder foram um dos piores períodos da história do conflito", destacou.

Shtayyeh equiparou o impacto negativo da era Netanyahu ao efeito igualmente negativo sobre a AP da chegada ao poder do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump que se alinhou com as posições ideológicas da direita israelense.

O governo liderado por Shtayyeh - com controle limitado sobre partes da Cisjordânia ocupada - tem acordos de cooperação bilateral com Israel em virtude dos Acordos de Oslo, o que significa que terá de negociar com o novo Executivo israelense./EFE e NYT

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