Para palestinos, vitória do Kadima não traz novidades às conversas de paz

Apesar do clima festivo em Israel após as eleições desta terça-feira, o grupo extremista Hamas, que acaba de assumir o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), afirma que o pleito é mais uma forma de seus vizinhos tentarem acabar com a ANP. "Não importa quem ganhou as eleições israelenses. A posição Sionista como um todo, particularmente a dos três partidos (Kadima, Trabalhista e Likud), é hostil contra os direitos palestinos e insiste em nos liquidar", disse o líder do Hamas, Khaled Mashaal, na Síria. O líder do grupo afirma que os principais partidos israelenses estão em acordo quanto às seguintes questões: a recusa de desistir das partes árabes de Jerusalém; a retirada para as fronteiras anteriores à guerra árabe-israelense de 1967; a garantia de retorno aos palestinos refugiados; e o desmantelamento dos principais assentamentos judeus em áreas palestinas. O Secretário Geral da Liga Árabe, Amr Moussa, falando a repórteres no encontro anual de árabes em Cartum, Sudão, disse nesta quarta-feira que é duvidoso que as eleições de Israel tragam algo de novo às conversas de paz com a ANP. A esperança de Abbas Já o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, disse nesta quarta-feira que espera ver o próximo governo israelense buscar a solução do conflito por meio das negociações e da legitimidade internacional. "O importante é saber se o governo que será formado, provavelmente uma coalizão, seguirá uma política baseada na paz, por meio de negociações e da legitimidade internacional", disse Abbas, logo que chegou à Faixa de Gaza. O presidente da ANP, que voltou nesta quarta-feira a Gaza depois de participar da cúpula da Liga Árabe, em Cartum, evitou as perguntas sobre os resultados da eleições israelenses. "Não foi o que muitos esperavam. Alguns perderam espaço e outros ganharam", limitou-se a comentar Abbas. Ehud Olmert, líder do partido Kadima, que ganhou o maior número de cadeiras nas eleições da última terça-feira, explicou durante sua campanha eleitoral que prevê conduzir uma retirada unilateral da Cisjordânia caso fracassem as tentativas de negociação. Isso disparou os alarmes na ANP, que teme uma solução imposta por Israel. Abbas chegou à Faixa de Gaza para assistir à cerimônia em que os ministros do novo governo do Hamas tomaram posse. O presidente da ANP ouviu o juramento dos 24 ministros do novo governo, aprovados na última terça-feira por votação do Parlamento palestino. Depois, ainda na noite desta quarta-feira, Abbas vai à África do Sul, onde permanecerá por quatro dias. Para as autoridades israelenses, a cerimônia de posse do Hamas marca a transformação da ANP numa entidade terrorista. Na Alemanha A chanceler alemã, Angela Merkel, e o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, felicitaram nesta quarta-feira o chefe do governo israelense interino, Ehud Olmert, pela vitória de seu partido Kadima nas eleições parlamentares. O governo alemão se mostrou confiante de que, após as eleições em Israel, continue o processo de paz no Oriente Médio. Steinmeier disse no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) que o resultado das eleições em Israel mostra que a maioria da população é a favor de continuar o processo de paz. O ministro também exigiu ao Hamas que, após sua vitória nas eleições legislativas palestinas de 25 de janeiro, coloque fim à violência e reconheça o direito à existência do Estado de Israel. Na França A vitória do Kadima nas eleições de Israel é "uma boa notícia para a paz", disse nesta quarta-feira o ministro de Assuntos Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, que pediu que Israel aplique o "Mapa de Caminho" e evite uma "política unilateral" em relação aos palestinos. Olmert é o "homem da política unilateral", mas também mostrou o desejo de que os "dois Estados vivam em segurança e paz e um ao lado do outro", destacou Douste-Blazy a redes de televisão em um encontro com correspondentes estrangeiros. Para o chefe da diplomacia da França, a União Européia deve estar presente, "mais do que nunca", para que haja diálogo entre o governo israelense e a ANP, presidida por Mahmoud Abbas. O ministro francês reiterou as três exigências feitas ao Hamas - o reconhecimento de Israel, o abandono da violência e a aceitação dos acordos já firmados. O ministro afirmou ainda que israelenses e palestinos não podem se despreocupar em relação ao desenvolvimento econômico dos territórios palestinos. "Não se pode deixar no desemprego mais de 50% dos jovens de Gaza se quisermos ter um processo de paz", acrescentou Douste-Blazy sobre a necessidade de que a UE contribua para uma "solução econômica". O pleito O Kadima ganhou as eleições israelenses, seguido pelo Partido Trabalhista, que conseguiu 20 cadeiras. O partido apóia formalmente o projeto "Caminho da Paz" e a aceitação do Estado Palestino, mas defende que as retiradas da Cisjordânia sejam parciais e unilaterais, e apóia a construção da barreira que divide a Cisjordânia em duas, sendo a maior parte israelense.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 16h11

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