Para Pequim, minorias deveriam ser gratas

Apesar de estar numa província tradicionalmente uigur, Urumqi é uma cidade com identidade han, a etnia de 92% da população chinesa. O caminho do aeroporto ao centro é cheio de outdoors em mandarim e os voos de Pequim para a capital da Província de Xinjiang levam principalmente hans. Os uigures concentram-se hoje no sul da província. Os hans ocuparam Urumqi e dominam a exploração de petróleo e gás e a indústria da construção. A revolta dos uigures é incompreensível para os hans. Para eles, Pequim é generoso com as 54 minorias étnicas da China. Duas jovens hans de 23 anos com quem o Estado conversou no voo para Urumqi listaram as razões pelas quais os uigures "deveriam ser gratos" ao governo chinês: eles ganham 50 pontos (num total de 750) nos exames de entrada da universidade e não são obrigados a seguir a política de filho único. Rebyia Kadeer, a presidente do Congresso Uigur Mundial, tem 11 filhos. Os uigures ressentem-se do fato de os hans serem os grandes beneficiados pelo crescimento econômico chinês. Como no Tibete, a língua dos negócios é o mandarim, que não é falada por muitos uigures. E a maioria dos hans não fala uigur. Outro fator que causa insatisfação é o controle das autoridades sobre a religião e movimentos políticos uigures. Pequim sustenta que há grupos separatistas na região e obteve um álibi para ampliar o controle sobre os uigures com os atentados de 11 de Setembro, nos EUA. Localizada na fronteira com o Paquistão e o Afeganistão, Xinjiang foi apontada pela China como base de atuação de grupos terroristas. Ontem, o clima em Urumqi era tenso. Um mar de carros tentava sair do centro, escapando de um protesto. Havia ruas bloqueadas e as pessoas recusavam-se a sair de casa. "Não quero morrer", foi a resposta de um dos 15 tradutores que o Estado tentou contratar.

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