Para peronistas, Menem é prisioneiro político

O Conselho Nacional do peronista Partido Justicialista (PJ) afirmou nesta quarta-feira que o ex-presidente Carlos Menem, que está em prisão domiciliar por ordem judicial, "é um prisioneiro político do governo" e "vítima de uma campanha de desprestígio". O Conselho entregou à imprensa uma declaração logo após uma reunião em que Menem, titular do PJ, foi substituído temporariamente pelo governador de La Pampa, Rubén Marín. "Está sendo desenvolvida a maior campanha de desprestígio já realilzada neste país, só comparável à perseguição de que foram alvo o fundador de nosso movimento (Juan Domingo Perón) e sua companheira Evita (Eva Perón)", acrescenta o comunicado. Menem cumpre prisão domiciliar em uma casa de campo cerca de 30 quilômetros a noroeste da capital, Buenos Aires, por ordem do juiz federal Jorge Urso, que investiga a venda ilegal de armas à Croácia e ao Equador entre 1991 e 1995. O magistrado o considera suspeito de ser o chefe de uma associação ilícita. Apesar da solidariedade expressada pelo conselho do partido em relação a "El Jefe", como Menem é chamado por seus simpatizantes, o ex-presidente não consegue enquadrar em suas fileiras a maioria do partido opositor. Os amigos de Menem organizaram para esta terça-feira à noite uma visita dos governadores provinciais peronistas - que estão à frente de 14 dos 24 distritos do país - ao local onde seu chefe supremo se encontra detido. Mas só conseguiram que sete - exatamente a metade - deles fosse até lá.Entre os que não se juntaram à delegação, contam-se os três mais importantes governadores peronistas: Carlos Ruckauf, da província de Buenos Aires; José Manuel de la Sota, de Córdoba, e Carlos Reutemann, de Santa Fé. Todos eles são considerados aspirantes à candidatura presidencial pelo PJ em 2003. Enquanto Menem recebia o apoio pessoal dos sete governadores, sua filha Zulema María Eva, ou Zulemita, continuava negando-se a visitar o pai, alegando que não é "compatível com a pessoa que ele tem a seu lado", ao referir-se à esposa chilena do ex-presidente, a ex-Miss Universo Cecilia Bolocco.A filha do ex-mandatário argentino, que durante a gestão de Menem fez as vezes de primeira-dama após ele se separar de sua mãe, Zulema Yoma, distanciou-se do pai desde que manifestou publicamente sua oposição ao casamento de Menem com Bolocco.Nesta quarta-feira, o ex-presidente foi autorizado pelo juiz Urso a visitar todas as quintas-feiras a sepultura de seu filho Carlos Facundo, morto em 1995 em um acidente de helicóptero, informaram seus advogados. A sepultura de seu filho está situada no cemitério islâmico de San Justo, nos arredores da capital.

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