Para presidente do Parlamento do Irã, EUA apóiam terroristas

Os Estados Unidos estão pondo pressão sobre o Irã pelo fato de dar apoio a militantes anti-iranianos que operam a partir da região da fronteira paquistanesa, disse na quinta-feira o presidente do Parlamento iraniano, Gholamali Haddadadel.Mas Haddadadel, que conversou com jornalistas depois de reunir-se com líderes paquistaneses, disse que o Paquistão não está envolvido na ajuda aos militantes."Não há dúvida, para nós, de que os EUA não poupam esforços para pressionar a República Islâmica do Irã", disse Haddadadel, falando com a ajuda de intérprete."O melhor indicativo do apoio dado pelos EUA a um grupo terrorista particular é que foi oferecida a um dos líderes desse grupo terrorista a oportunidade de falar no Voice depois de cometer o crime", disse ele, referindo-se a uma transmissão da rádio Voice of America após um ataque não especificado.Apoio veladoO canal americano ABC News relatou na terça-feira que os EUA vêm aconselhando e incentivando secretamente um grupo militante paquistanês que realizou uma série de ataques guerrilheiros no Irã.Citando fontes da inteligência americana e paquistanesa, a ABC disse que os ataques resultaram na morte ou captura de soldados e funcionários iranianos.O grupo, chamado Jundullah e composto de membros do grupo étnico baluchi, que vive no Paquistão e Irã, opera desde a província paquistanesa do Baluquistão, na fronteira com o Irã, disse a ABC.O grupo assumiu um ataque lançado em fevereiro que matou pelo menos 11 membros da Guarda Revolucionária iraniana num ônibus que partiu da cidade iraniana de Zehedan, disse a ABC. "Absurdo e Sinistro"A ABC citou fontes do governo paquistanês como tendo dito que a campanha secreta contra o Irã fez parte da agenda do encontro entre o vice-presidente americano Dick Cheney e o presidente paquistanês Pervez Musharraf em fevereiro.O Ministério do Exterior paquistanês qualificou o relato de "tendencioso" e disse que a sugestão de que o Paquistão estaria envolvido numa guerra secreta contra o Irã é "uma insinuação absurda e sinistra."Haddadadel disse que o Irã precisa intensificar a cooperação com o Paquistão na fronteira. "Alguns dos militantes, das forças rebeldes são ativas em nossas áreas de fronteira, e precisamos aumentar a cooperação de segurança com o Paquistão", disse ele."Não há notícias ou evidências e não temos razões para acreditar que o establishment militar do Paquistão também dê apoio a esses grupos militantes."Indagado se acredita que os EUA vão atacar o Irã em função do programa nuclear iraniano, ele respondeu: "Acho altamente improvável. Não vemos nenhuma razão para uma ação militar contra o Irã e não fazemos nada que encoraje uma ação militar."Ele disse também que espera que as obras de construção de um gasoduto do Irã até o Paquistão, passando pela Índia, comecem em julho. Os EUA se opõem ao gasoduto.

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