Para presidente, mundo já aceita um Irã nuclear

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta terça-feira em coletiva de imprensa que o Irã em breve dominará o ciclo de produção de combustível nuclear por meio do enriquecimento de urânio. Durante a entrevista, ele também afirmou que é cada vez maior a aceitação de um Irã nuclear pela comunidade internacional. As asserções vêm num momento em que o governo dos Estados Unidos, principal inimigo de Teerã, enfrenta um enfraquecimento decorrente da derrota dos republicanos nas eleições da semana passada. "Com sabedoria e resistência, hoje nossa posição é estável. Estou muito esperançoso de que comemoraremos ainda este ano o domínio total do ciclo nuclear", declarou o presidente linha-dura, referindo-se ao controverso programa de enriquecimento de urânio do país. O ano iraniano, que segue o calendário persa, termina no dia 20 de março do ano que vem. A controvérsia em torno do programa nuclear iraniano resulta da desconfiança de nações como os Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha de que Teerã visa construir armamentos atômicos. O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas. Segundo Ahmadinejad, entretanto, o mundo cederá à determinação iraniana em continuar seu programa nuclear. "Inicialmente (os EUA e seus aliados) estavam muito nervosos. A razão era clara: basicamente, eles queriam monopolizar a tecnologia nuclear para mandar no mundo e impor suas determinações às outras nações", disse o presidente. "Hoje", continuou Ahmadinejad, "eles finalmente concordaram em conviver com um Irã nuclear, com um Irã capaz de processar todo o ciclo nuclear". Ahmadinejad acrescentou também que em breve enviará uma mensagem aos americanos, em uma aparente tentativa de influenciar a opinião pública americano acerca das políticas do presidente George W. Bush em relação ao Irã. "Nós iremos mandar uma mensagem ao povo americano. Muitos americanos me procuraram para que eu diga minha opinião a eles", disse o presidente. Após enviar uma carta a Bush que Washington classificou como irrelevante, Ahmadinejad pediu em agosto por um debate público com o presidente americano. Recentemente, o Irã também afirmou que negociaria com os Estados Unidos sobre o Iraque e outros problemas regionais no Oriente Médio caso Washington propusesse uma abertura para o diálogo. Ainda assim, a República Islâmica deixou claro que não falaria sobre seu programa nuclear.

Agencia Estado,

14 Novembro 2006 | 14h03

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