Para primeiro-ministro do Paquistão, Musharraf será reeleito

Há oito anos no poder, Musharraf conta com parlamento para permanecer até 2012

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

O primeiro-ministro do Paquistão espera que o presidente Pervez Musharraf continue por mais cinco anos no poder. A declaração foi feita em entrevista à Associated Press no domingo, 10. Para Shaukat Aziz, o extremismo islâmico dá sinais de diminuição no primeiro parlamento na história do Paquistão que irá completar os cinco anos de mandato. Aziz disse que o país atravessa um período de crescimento econômico e agora as reservas batem recordes de US$ 15 bilhões ou € 11,2 bilhões. "A Nação espera, estou certo que o presidente Musharraf precisa permanecer no cargo. Nós temos muita certeza que ele irá lutar e será reeleito", declarou Aziz. Por enquanto, o futuro da política de Musharraf e Aziz está atrelado à expansão da oposição travada desde 9 de março, data em que foi suspenso o chefe de Justiça Iftikhar Mohammed Chaudhry, acusado de autoritarismo no comando militar. Mídia alternativa Na semana passada o governo anunciou uma proposta com novas regras para conter o crescimento da crítica pela cobertura da mídia independente. Entretanto, a proposta causou uma reação doméstica e internacional. Na entrevista Aziz saiu pela tangente para defender um governo com bases em uma tolerância crítica. "Nós acreditamos na liberdade de imprensa. O governo está fortalecido, então às críticas que recebemos responderemos de acordo com o código de conduta que elas devem seguir", respondeu. Com a iminência das eleições, há crescentes demandas pelo retorno das regras civis na zona de fronteira do Paquistão, oriundas de advogados, intelectuais e partidos de oposição. Eles argumentam que é preciso retornar para a democracia total. Para eles, esta é a melhor defesa contra o crescimento do extremismo no país. Emergente rival Benazir Bhutto, que ocupou o posto de primeiro-ministro antes de Aziz, líder do Partido Popular do Paquistão, é uma rival do chefe Musharraf. Ela está exilada em Dubai e Londres. Acusações de corrupção no final dos anos 1980 e começo de 1990 rondam a ex-primeira-ministra. Conforme Aziz, ela está livre para retornar ao país antes das eleições, mas os processos contra ela continuam. "Essa questão é melhor perguntar a ela", rebateu o atual primeiro-ministro. "Mas ela tem alguns procedimentos legais nesse país e outros, e talvez ela vá procurar resolver com o conselho legal. Ela decide o que quer de seu futuro". Os financiadores de Bhutto gostariam que ela retornasse em um desafio com as regras de Musharraf, enquanto há algumas especulações que ela poderia formar uma aliança com Musharraf em oposição a influência crescente dos partidos islâmicos. "Confortável maioria" De acordo com Aziz o governo tem uma "confortável maioria" no parlamento. Ele não vê nenhum obstáculo para Musharraf, um dos aliados dos Estados Unidos na guerra contra o Taleban e a Al-Qaeda, vencer as próximas eleições, que devem acontecer entre 15 de setembro e 15 de outubro. Aziz afirmou que a constituição é a lei suprema, e será seguida por Musharraf, se reeleito, na transição do atual para o novo parlamento após as eleições. O colégio eleitoral é constituído da Assembléia Nacional, Senado e quatro assembléias de províncias. Os oponentes políticos de Musharraf no Paquistão tem criticado o composição que pode continuar no parlamento, não eleito por voto popular desde 2002, que pode dar a Musharraf, há oito anos no poder, um termo adicional para continuar até 2012. No comando das forças armadas, Musharraf chegou ao poder em 1999 em uma cúpula democraticamente eleita do primeiro-ministro Nawaz Sharif. Ele se auto-declarou presidente em 2001, antes de ser eleito em um criticado referendo nacional em 2002, no qual era o único candidato. Ele ganhou um voto de confiança do parlamento no começo de 2004 para validar seu poder. De acordo com Aziz não são esperados problemas nas eleições do parlamento. Por volta de novembro, um primeiro-ministro interino poderá assumir por dois ou três meses para preparar a votação, conforme o primeiro-ministro paquistanês. "Nós estamos muito comprometidos com eleições livres e justas por eleições livres. E estamos dispostos a receber observadores de todo o mundo", finalizou Aziz.

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