Para reduzir manifestações, governo de Maduro deve aumentar salários

Elevação salarial será anunciada pelo Palácio de Miraflores na celebração do 1º de Maio, quando governistas pretendem tomar as ruas de Caracas

O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2014 | 21h09

CARACAS - A Central Bolivariana de Trabalhadores (CBT) afirmou na segunda-feira, 28, que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro - que enfrenta protestos de rua há dois meses -, aproveitará o 1.º de Maio para anunciar aumento de salários. Para compensar a inflação, que passou de 56% em 2013, o governo também concederá financiamentos a empresas para impulsionar a produção interna do país, que importa quase tudo o que consome.

Segundo a entidade sindical, a elevação nos salários deixará satisfeitos os trabalhadores venezuelanos. "Vai haver um aumento. Não estou autorizada a dizer qual a porcentagem, mas será uma com a qual os trabalhadores estarão de acordo", disse a vice-presidente da CBT, Egle Sánchez.

Maduro aumentou em 10% o salário mínimo em 6 de janeiro. No câmbio oficial - que mantém US$ 1 a 6,30 bolívares -, o salário mínimo venezuelano vale US$ 519. Segundo o novo Sistema Cambial Alternativo de Divisas (Sicad 2) - plataforma de leilão de dólares lançada pelo governo para tentar conter a diferença entre o câmbio oficial e paralelo - o salário mínimo vale US$ 65,84, já que o valor médio do dólar fica em 49,67 bolívares.

Estudantes se acorrentaram em protesto nesta segunda-feira, 28, em Caracas (Foto: Miguel Gutiérrez/EFE)

Quando anunciou o aumento salarial, a sindicalista afirmou que a CBT e a Central Socialista de Trabalhadores pretendem reunir 2 milhões de pessoas em manifestações "em apoio ao governo" no Dia do Trabalho. "Vamos demonstrar que apoiamos o governo de Maduro", disse, acrescentando que haverá três concentrações para a marcha que as entidades sindicais pretendem organizar na capital venezuelana.

PIB

O vice-presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores, Franklin Rondón, também dirigente do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), declarou, ao lado da sindicalista da CBT, que a manifestação "respaldará o impulso à revolução econômica, fazendo a Avenida Bolívar transbordar (de gente)".

O ministro venezuelano das Indústrias, José David Cabello, afirmou que na segunda fase de sua "ofensiva econômica", o governo oferecerá a empresas venezuelanas financiamentos por meio do Fundo de Desenvolvimento Nacional e de um fundo chinês, além de bancos públicos e privados, para elevar a produção interna.

Durante um ato no Estado de Aragua, Cabello declarou que um dos objetivos da iniciativa é fazer com que os empresários venezuelanos possam adquirir "bens de capital que possam aumentar a produção em cada uma de suas empresas", segundo a Agência Venezuelana de Notícias.

"Hoje, se chegará a um grande acordo nacional para que no fim do ano as empresas privadas venezuelanas alcancem se não 100% de sua capacidade de produção, uma porcentagem muito próxima a essa", disse Cabello em Maracay.

O vice-presidente, Jorge Arreaza, afirmou que o governo está disposto a "comprar toda a produção nacional sempre que os preços sejam justos", com o objetivo de estimular o PIB venezuelano. "Precisamos produzir mais", afirmou o vice-presidente para a área econômica e ministro do Petróleo, Rafael Ramírez.

Crise

O diálogo entre o governo venezuelano e a oposição entrou nesta segunda-feira na terceira semana, com a expectativa de que sejam alcançados acordos que deem credibilidade à negociação que busca pôr fim à turbulência política no país e deixou 41 mortos desde fevereiro.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) declarou que o entendimento somente poderá ser alcançado se houver "transparência e respeito". De acordo com o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Claudio Paolillo, não pode haver diálogo sem os jornalistas. "Faz tempo que o governo venezuelano institucionalizou a imprensa", disse. / EFE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.