Para revista, EUA realizam operações clandestinas no Líbano

O governo dos Estados Unidos cooperou com o da Arábia Saudita em operações clandestinas no Líbano, com oobjetivo de debilitar o Hezbollah, segundo uma reportagem publicada na última edição da revista The New Yorker. O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, desmentiu o artigo e o classificou como "sem fundamento", na segunda-feira, 26.Em um extenso artigo, o jornalista Seymour Hersh aborda a mudança de estratégia do governo americano no Oriente Médio nos últimos meses, "em sua diplomacia pública e em suas operações encobertas", à medida que a situação no Iraque foi se agravando."Para debilitar o Irã, que é predominantemente xiita, aadministração (de George W.) Bush decidiu, com efeito, reconfigurar suas prioridades no Oriente Médio", destaca Hersh.O jornalista acrescenta que, no Líbano, "a administração cooperou com o governo da Arábia Saudita, que é sunita, em operações clandestinas que tentam debilitar o Hezbollah, a organização xiita que é apoiada pelo Irã".Irã e SíriaHersh afirma que os EUA também tomaram parte em operaçõesclandestinas contra o Irã e a Síria.O jornalista lembra que o secretário de Defesa americano, Robert Gates, declarou em 2 de fevereiro que os EUA não estão "fazendo planos para uma guerra com o Irã". Porém, segundo Hersh, o clima de confronto aumentou."Segundo antigos e atuais funcionários militares e dainteligência, operações secretas no Líbano estiveram acompanhadas de operações clandestinas com o Irã como alvo", diz o artigo.O texto destaca em outra parte que "o foco da atenção de EUA e Arábia Saudita, depois do Irã, é o Líbano, onde os sauditas estiveram muito envolvidos nos esforços da administração (dos EUA) de apoiar o governo libanês".Hersh ressalta que o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, "luta para estar no poder frente a uma persistente oposição liderada pelo Hezbollah" e seu líder, o xeque Hassan Nasrallah.Apoio clandestinoO jornalista também lembra que essa organização xiita está na lista de grupos terroristas do Departamento de Estado americano desde 1997 e que a administração de Bush já ofereceu publicamente ao governo de Siniora uma ajuda de US$ 1 bilhão."Os EUA também deram apoio clandestino ao governo de Siniora", segundo um antigo alto funcionário da inteligência e um assessor do Governo americano, escreve Hersh."Funcionários americanos, europeus e árabes com os quais falei disseram que o Governo de Siniora e seus aliados tinham permitido que alguma ajuda acabasse em mãos de grupos sunitas radicais nascentes no norte do Líbano, no Vale do Bekaa e em torno de campos de refugiados palestinos no sul", diz o jornalista.Esses grupos, "embora pequenos, são vistos como uma barreira ao Hisbolá; ao mesmo tempo, seus vínculos ideológicos são com a Al Qaeda", afirma Hersh."Sem fundamento"O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, classificou na segunda-feira, 26, como "sem fundamento" o artigo publicadopela revista americana The New Yorker."Trata-se de um artigo sem fundamento (...) e em completacontradição com os procedimentos e a política aplicada pelogoverno", afirmou Siniora em um breve comunicado publicado por seu escritório de imprensa.

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