Dusan Vranic/AP
Dusan Vranic/AP

Para Rússia, permanência americana no Afeganistão não mudará rumo da guerra

Decisão de Obama de deixar contingente no país depois de 2016 foi criticada também internamente

O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 16h46

MOSCOU - A Rússia afirmou nesta quinta-feira, 15, que a decisão dos Estados Unidos de adiar a retirada de seu contingente militar do Afeganistão não influenciará o curso da guerra entre o Exército afegão e os Taleban. "Não sei o que vai mudar. Já disse isso várias vezes: se 100 mil soldados fracassaram em sua missão, 5 mil ou 6 mil não farão diferença", disse Zamir Kabulov, porta-voz do Kremlin para o Afeganistão, à agência oficial RIA Nóvosti.

Segundo ele, a permanência americana "pode representar um respaldo político e moral para as autoridades afegãs, que, por alguma razão, acham que a presença militar estrangeira lhes facilitará a existência". "As autoridades e o povo afegão devem em primeiro lugar contar com suas próprias forças", disse, e o Ocidente deve se limitar a instruir os soldados afegãos e fornecer armamento moderno para a luta contra o Taleban.

Washington anunciou hoje que os EUA atrasarão sua retirada militar do Afeganistão e manterão 5,5 mil soldados até janeiro de 2017.  Para Kabulov, a decisão dos Estados Unidos é uma reação aos últimos eventos no Afeganistão, como a recente tomada da emblemática cidade de Kunduz pelos insurgentes, que foi reconquistada três dias depois pelas forças governamentais. "Não existe outra explicação. A decisão de adiar a retirada vem porque a realidade afegã obrigou a administração americana a mudar de planos", opinou.

O ataque a Kunduz foi a maior conquista militar taleban desde a queda de seu regime em 2001, após a invasão ocidental do Afeganistão depois dos atentados de 11 de Setembro. Na opinião do diplomata russo, Washington teme que outras cidades, exceto Cabul - "que conta com suficientes forças e está por enquanto fora do alcance dos extremistas" - caiam nas mãos dos rebeldes afegãos.

Em dezembro, Kabulov tachou de "extremamente inoportuna" a retirada das tropas ocidentais do Afeganistão, e disse que o Taleban voltaria a ser forte como em 2001. 

Em casa. Internamente, Obama também foi questionado. Um antigo crítico da estratégia democrata para a guerra, o senador republicano e veterano da Guerra do Vietnã, John McCain, afirmou ver com bons olhos a decisão de Obama, mas a permanência de 5,5 mil soldados não será suficiente para as missões de contraterrorismo e treinamento das tropas afegãs. 

“Seria muito melhor se o presidente suspendesse toda a retirada de tropas e deixasse para seu sucessor determinar o que se justificaria fazer com base no que acontece no país”, afirmou McCain, também presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado, em comunicado. 

O pré-candidato republicano Jeb Bush, irmão do presidente que começou a Guerra do Afeganistão em 2001, George W. Bush, também elogiou a decisão de abandonar os planos de retirada total até o fim do ano que vem, mas questionou as intenções de Obama.

“Se ele estiver verdadeiramente comprometido em combater o terrorismo e garantir a estabilidade no Afeganistão, ele não deveria mudar o que nossos comandantes militares têm dito ser necessário para completar a missão”, comentou Jeb, também em comunicado. / EFE  

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