Para Saddam, oponentes curdos semearam ódio racial

Em tom desafiador, o presidente iraquiano deposto Saddam Hussein disse que as testemunhas curdas convocadas para depor contra ele em um julgamento retomado nesta segunda-feira tentam semear uma divisão étnica no Iraque com acusações de que ele, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), teria ordenado ataques com armas químicas e operações de detenção em massa contra aldeias curdas.Por sua vez, três testemunhas curdas relataram perante a corte episódios de repressão brutal no âmbito da Operação Anfal, uma campanha militar realizada entre 1987 e 1988 para reprimir uma rebelião curda perto da fronteira com o Irã. Saddam acusa milicianos curdos de colaboração com Teerã durante o conflito, encerrado há quase 20 anos.Uma das testemunhas, uma curda americana, disse ter visto pessoas sendo intoxicadas ou mortas depois de um ataque aéreo supostamente perpetrado com armas químicas. Ela exigiu que as empresas estrangeiras que venderam os produtos a Saddam - supostamente para uso no setor de agricultura - indenizem as vítimas."Todas as testemunhas vieram à corte e disseram ter sido reprimidas porque eram curdas", gritou Saddam depois de um dos testemunhos. "Elas estão tentando criar divisões no povo do Iraque. Elas tentam criar divisões entre curdos e árabes e eu gostaria que o povo do Iraque soubesse disso", prosseguiu.Saddam comentou ainda que o povo iraquiano "não deveria se sentir culpado pela morte de curdos" e afirmou ter tratado justamente os curdos iraquianos leais a seu regime. Segundo ele, somente os curdos que aderiram à insurgência foram punidos.Saddam é um dos sete réus em um julgamento por genocídio e outros crimes cometidos durante a Operação Anfal. Segundo a promotoria, até 180.000 pessoas teriam morrido durante a campanha militar. Caso seja considerado culpado, Saddam corre o risco de ser sentenciado à morte por enforcamento.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2006 | 18h40

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