Para Sarney, Lugo não recebeu amplo direito de defesa

O presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta sexta-feira que o processo de impeachment a que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, está sendo submetido não tem lhe garantido o "amplo direito de defesa". O impedimento de Lugo foi aprovado na quinta-feira numa votação rápida pela Câmara dos Deputados paraguaia por 73 votos a favor e um contra e o processo continua hoje no Senado, Casa Legislativa em que também as chances do presidente reverter a situação são pequenas.

RICARDO BRITO, Agência Estado

22 de junho de 2012 | 12h52

"Pelo que eu vejo, e pela celeridade com que esse processo está marchando, realmente ele não pode assegurar um amplo direito de defesa, como deve ter aqueles que são submetidos a um processo dessa natureza. Nós tivemos no Brasil, mas seguimos todo o rito que a lei determinava, levou bastante tempo para que aquilo fosse concluído", disse Sarney, referindo-se ao processo pelo qual o ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) passou em 1992. A tramitação do processo de Collor no Congresso durou três meses.

Fernando Lugo começou a se desgastar depois do violento episódio do dia 15, em Curuguaty, a 250 quilômetros da fronteira com o Brasil. Na ocasião, camponeses sem-terra armados entraram em confronto com a polícia, deixando 17 mortos. Segundo analistas, a matança teria sido o estopim para que a oposição no país forçasse a saída do presidente, já enfraquecido politicamente.

Sarney classificou como "péssimo" para a América do Sul o processo contra Lugo, uma vez que, na avaliação dele, há "alguns países" na região que não estão tendo práticas "muito democráticas". "São práticas que não são comuns em uma democracia, de maneira que agora (está) exacerbando a nível de derrubar o presidente. Evidentemente mostra que alguma coisa está errada na democracia do continente", afirmou.

O presidente do Congresso disse que cabe ao Brasil defender os princípios democráticos estabelecidos pelo Mercosul. Sarney lembrou ainda que, quando da fundação do bloco, o Paraguai não foi admitido inicialmente por ser presidido pelo general Alfredo Stroessner, que ficou no governo há 35 anos e foi derrubado por um golpe de Estado.

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