Para SIP, reeleição deu força a cerco à imprensa

A intervenção judicial em uma das empresas do Grupo Clarín provocou protestos de entidades de representação de empresas de comunicação. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) qualificou de mais um ataque à liberdade de expressão a operação da polícia militar argentina na sede da operadora de TV a Cabo Cablevisión.

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

Para o jornalista uruguaio Claudio Paolillo, diretor do semanário Búsqueda, de Montevidéu, e membro executivo da entidade, a ofensiva do governo da presidente Cristina Kirchner - que participava ontem da reunião de cúpula do Mercosul, no Uruguai (mais informações no Caderno de Economia) contra os meios de comunicação é comparável à dos tempos do peronismo. Ainda na avaliação dele, a reeleição de Cristina, em outubro, deu a ela força política para aprofundar uma agenda de pressão aos veículos independentes.

"Esse episódio confirma os temores dos defensores da liberdade da expressão tinham com a reeleição de Cristina Kirchner", disse Paolillo em entrevista por telefone ao Estado. "Desde 2003, o kirchnerismo acossa os meios críticos e independentes. Essa é sua marca registrada. Não se compreende o kirchnerismo sem o ataque sistemático aos meios de comunicação."

O confronto entre Cristina e a imprensa argentina independente cresceu ainda durante seu primeiro mandato. Em 2009, o governo aprovou a lei de meios, que regulamentou o sistema de concessões e oficializou a "proibição ao monopólio". Dono de jornais, TVs aberta e fechada, rádios e provedores de internet, o Grupo Clarín era o maior alvo.

Outra tática para enfraquecer as empresas de comunicação foi mudar a distribuição de verbas publicitárias federais. Meios simpáticos ao governo têm sido privilegiados.

"Nem no tempo do peronismo o cerco à imprensa era assim. Como ganhou a eleição, Cristina está com tudo a seu favor", disse Paolillo. / L. R.

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