Para testemunhas, jovem atacou policial, diz promotoria

CENÁRIO: Erik Eckholm, NYT

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2014 | 02h02

Ao explicar por que o júri de instrução não encontrou uma causa provável para indiciar o policial Darren Wilson, o promotor do Condado de St. Louis, Robert P. McCulloch, disse, em uma entrevista coletiva na segunda-feira, que testemunhas que viram a morte de Michael Brown afirmaram que ele investiu contra o policial antes dos tiros fatais.

Os depoimentos de diversas testemunhas do bairro onde Brown foi morto - incluindo as que afirmaram que o jovem tentou se entregar - mudaram no decorrer do tempo ou foram considerados em contradição com evidências físicas. "O dever do júri é separar os fatos da ficção", afirmou o promotor.

O requisito do causa provável não é inflexível. Não exige que grande parte das evidências seja incriminadora, sem falar naquelas provas que vão "além da dúvida razoável" como é exigido num julgamento criminal. Em vez disto, os membros do júri comumente são instruídos a se decidir por um indiciamento quando existe "alguma evidência" de culpa.

Para os pais de Brown e seus defensores os argumentos para uma acusação parecem claros. Os membros do júri, no entanto, também precisaram avaliar se Wilson agiu dentro dos limites da lei que dispõe sobre o uso de força letal, o que abriria o caminho para um indiciamento. Para especialistas, é impossível analisar a decisão do júri sem estudar as transcrições dos depoimentos e os informes da polícia, além das provas médico-legais. McCulloch prometeu que tentará pôr fim a qualquer suspeita quanto à imparcialidade do processo divulgando, com os nomes em sigilo, as transcrições dos depoimentos e outras provas. Essa divulgação é um fato raro, mas na segunda-feira o gabinete de McCullough informou que foi decidido que ele tinha o direito de divulgar as transcrições, o que fez na noite de segunda-feira. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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