Para Tony Blair, mídia age como ´besta selvagem´

Premiê diz que atuação da imprensa ameaça capacidade de tomada de decisões

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, afirmou nesta terça-feira, 12, que os veículos de comunicação britânicos agem como "bestas selvagens", mas reconheceu que seu governo dedicou muito tempo a tentar influenciar a cobertura feita pela imprensa. Blair deve deixar o cargo nas próximas semanas. Em discurso pronunciado na sede da agência de notícias Reuters, em Londres, Blair reconheceu que a relação entre os políticos e a imprensa sempre foi tensa, ressaltou que esta tensão se intensificou nos últimos anos e admitiu que ele também contribuiu para a deterioração deste vínculo. Segundo Blair, esta difícil relação ameaça a capacidade dos políticos para tomar as decisões corretas para o país. Segundo o premier, a veiculação de notícias 24 horas por dia resulta em uma tendência que põe mais ênfase no "impacto" do que no equilíbrio das notícias. O resultado, argumentou o premiê, prejudica a perspectiva que as pessoas têm da vida pública. "Nos primeiros anos do novo trabalhismo prestamos uma atenção desmedida a cortejar, saciar e convencer os meios" e a tentar influenciar na cobertura que a imprensa fazia do governo, reconheceu Blair. "Após 18 anos na oposição, e, às vezes, com a feroz hostilidade de uma parte da imprensa, foi difícil ver alternativas", acrescentou. Apesar de ter ressaltado que não se queixava da cobertura que recebeu como primeiro-ministro, Blair afirmou que há menos equilíbrio no jornalismo hoje do que há dez anos. Blair insistiu que há um verdadeiro desejo das pessoas pela cobertura das notícias com imparcialidade. "A forma como elas são recebidas pode estar mudando, mas não a sede pelas notícias verdadeiras". "Acho que a relação entre a vida pública e a imprensa está danificada de uma maneira que deve ser reparada", acrescentou. "O dano prejudica a confiança do país e suas crenças, prejudica a avaliação sobre si mesmo, suas instituições, e, sobretudo, reduz nossa capacidade para tomar as decisões corretas", afirmou. O primeiro-ministro, que levou o Partido Trabalhista ao poder após 18 anos na oposição, deixará a chefia de governo no dia 27 e será substituído pelo ministro da Fazenda, Gordon Brown.

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