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Para trabalhar, taxista é obrigado a fugir da polícia

Apesar das reformas tímidas de Raúl Castro, família de Juan Carlos ainda vive de bicos e roupas doadas

, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Como efeito das reformas que permitiram alguma atividade privada no setor de serviços, entre 1993 e 1995, Juan Carlos, que então já trabalhava como taxista, recorda de um período de relativa bonança em Cuba até 2004. A partir desse ano, a economia passou a crescer mais, impulsionada pela ajuda da Venezuela de Hugo Chávez. Mas, com a folga dada pelos petrodólares venezuelanos, o regime enrijeceu de novo o controle sobre as atividades privadas. Muitos "paladares" - os pequenos restaurantes - foram fechados, assim como outros serviços. Sem licença para ser taxista, Juan Carlos perdeu passageiros e mobilidade, com a polícia por toda parte. Hoje, tira US$ 62,50 por mês. Ele, a mulher, a filha de 20 anos e o filho de 11 vestem roupas doadas por um casal espanhol que se tornou amigo da família e vem visitá-los quase todos os anos. Ele trocou a casa que herdara do irmão - que trabalhava na Marinha Mercante e fugiu para o Canadá - por um apartamento, pagando uma diferença de US$ 5 mil que os espanhóis lhe deram. Quando vêm visitá-los, todos os anos, hospedam-se lá. "Eles são nossa salvação", diz Juan Carlos. Sua filha estuda informática na universidade e dá aulas em um telecentro. Nem ela nem seus alunos podem navegar na internet. Têm acesso apenas ao correio eletrônico. A "abertura" anunciada pelo presidente Raúl Castro nessa área resultou em conexões discadas de internet a preços proibitivos para os cubanos comuns. Um pacote de 80 horas por mês custa US$ 75; a conexão ilimitada US$ 625. Pelo menos acabou a proibição de ter computador em casa. Quando sua filha tinha 16 anos, Juan Carlos lhe deu um computador de contrabando. No ano passado, ela pôde comprar legalmente um computador chinês.O celular também se tornou mais acessível no governo de Raúl, que assumiu em julho de 2006, depois que seu irmão Fidel ficou doente, e foi formalizado no cargo em fevereiro. Clandestinamente, Juan Carlos tinha um aparelho celular desde 2005 (presente dos espanhóis). Esse ainda é um luxo distante para muitos. A linha custa US$ 62,50 e o minuto, para receber e fazer chamadas, cerca de US$ 0,50."Espero que Raúl busque métodos para que as pessoas possam trabalhar", diz Juan Carlos. "Mas me parece utópico. A diferença entre o que se ganha e o que se precisa para viver é muito grande. Somos obrigados a viver de forma ilegal."

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