Para Tutu, ataque contra Beit Hanoun é crime de guerra

O bombardeio israelense contra a cidade palestina de Beit Hanoun em 8 novembro de 2006 possivelmente constitui crime de guerra e os sobreviventes e familiares dos mortos deveriam receber compensação, recomendou hoje o arcebispo sul-africano Desmond Tutu ao apresentar ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas o resultado de sua investigação sobre o incidente no qual 19 civis morreram.Tutu, Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid, explicou que a falta de uma explicação bem fundamentada por parte de Israel abre a possibilidade de o ataque consistir em crime de guerra.A recomendação do Prêmio Nobel foi feita em Genebra, onde ele apresentou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU as conclusões de sua investigação independente sobre o ataque israelense de novembro de 2006 e sobre os disparos promovidos por palestinos na direção de Israel.Na madrugada de 8 de novembro de 2006, um bombardeio israelense contra uma área residencial de Beit Hanoun matou 19 pessoas, 18 delas de uma mesma família. Mais de 50 pessoas ficaram feridas. Israel admitiu ter sido responsável pelo bombardeio, mas atribuiu o fato a um "erro tecnológico".Aharon Leshno-Yaar, embaixador de Israel em Genebra, alegou que Israel conduziu uma "profunda investigação" do caso e repassou o resultado à ONU. Para Tutu, porém, isso não é suficiente."Nenhuma explicação verificável foi fornecida. Nenhuma investigação transparente, independente e imparcial foi realizada. Ninguém foi responsabilizado. Investigar por meio de uma comissão militar secreta é absolutamente inaceitável dos pontos de vista jurídico e moral", denunciou o arcebispo.No entanto, Tutu pediu ao Conselho de Direitos Humanos da Organização da ONU que demonstre pelas vítimas israelenses de ataques palestinos a mesma preocupação que expressa pelo sofrimento dos palestinos que vivem sob a ocupação de Israel.

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