Para Uribe, libertação de traficante enfraquece instituições

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, assegurou que a criminalidade prevaleceu sobre as instituições, ao comentar nesta sexta-feira a libertação de um dos ex-chefes do Cartel de Cali, Gilberto Rodríguez Orejuela. "Na Colômbia, os criminosos não podem continuar prevalecendo sobre o Estado", disse Uribe hoje aos jornalistas. Ele assegurou que seu governo tentou bloquear até o último minuto a saída da prisão do mais velho dos irmãos Rodríguez Orejuela.Para tanto, o ministério da Justiça e a Procuradoria examinaram vários processos na tentativa de encontrar antecedentes que permitissem levantar outra acusação criminal contra o narcotraficante confesso, que se valeu de um benefício de redução de pena por bom comportamento. Segundo Uribe, após manter vários contatos com o Prorcurador Geral Luis Camilo Osorio - que estava em Porto Rico -, este admitu que a acusação não tinha mais nenhum recurso para sustentar a tese de que o narcotraficante deveria ser mantido na prisão. Foi por isso que o governo decidiu acolher o recurso de habeas-corpus apresentado pela defesa e aceito por uma juíza na quinta-feira. "O governo empreendeu todos os esforços para proteger a dignidade nacional, cumprindo (então) a ordem do Judiciário", admitiu Uribe. Graças a tal recurso, Gilberto Rodríguez Orejuela, de 56 anos, pôde encurtar seu período na prisão de 15 para apenas 7 anos e deixar o presídio de segurança máxima de Cómbita, a cerca de 100 km de Bogotá, na quinta-feira à noite. Em veículo blindado rodeado de escolta armada, ele se dirigiu para um lugar desconhecido que, segundo se supõe, pode ser Cali. Uma vez libertado graças à obtenção do polêmico benefício, o outrora barão da droga - cujo dinheiro chegou à campanha eleitoral do ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998), no maior escândalo de corrupção política do país - passou a enfrentar riscos incalculáveis devido ao espírito de ressentimento e vingança que ronda o mundo do narcotráfico na Colômbia - e também no exterior. Ficaram para trás os tempos, entre 1980 e 1995, em que os Rodríguez Orejuela (Gilberto e seu irmão Miguel, que continua detido por envolvimento em um caso de suborno) dominavam a partir de Cali o comércio, a eleição de legisladores e até mesmo os times de futebol. As coisas mudaram desde que os dois irmãos foram capturados em 1995, e o Cartel de Cali se fracionou em grupos rivais, que travam uma sangrenta batalha pelo controle das rotas de cocaína e em ajustes de contas. A guerra, que já dura sete anos, entre os antigos aliados do cartel já deixou dezenas de mortos, entre os quais o pretenso sucessor dos irmãos, Juan Carlos Ortíz Escobar.O filho de Miguel, William Rodríguez Abadía, foi outra das vítimas: em maio de 1996, escapou com seis ferimentos de bala de um atentado em um restaurante de Cali que matou cinco de seus guarda-costas. O governo dos EUA já pediu sua extradição.Em Cali, cidade de mais de 2 milhões de habitantes, as autoridades disseram que não haverá nenhuma medida de segurança em torno de Gilberto. "Não faltava mais nada", disse o ministro do Interior, Fernando Londoño, em tom sarcástico. E assegurou inclusive que o veículo em que o narcotraficante deixou a prisão está sendo investigado, para verificar se não foi adquirido por meios ilícitos.

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