Reprodução de TV/ Reuters
Reprodução de TV/ Reuters

Para Venezuela, ataque foi tentativa de massacre

Procurador-geral diz que, apesar de Maduro ter sido o alvo, na cerimônia havia chefes de poderes públicos e o alto comando militar

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 19h31

CARACAS - O procurador-geral da Venezuela, Tareq William Saab, anunciou nesta segunda-feira que foram identificados todos os autores materiais do atentado que o presidente Nicolás Maduro garante ter sofrido no sábado e do qual responsabiliza o governante colombiano, Juan Manuel Santos. "Também foi estabelecido o lugar em que os autores materiais se alojaram nos dias anteriores à tentativa de magnicídio", disse o procurador-geral.

 

Maduro interrompeu no sábado um ato com militares no centro de Caracas depois da explosão de drones próximo do local onde estava o presidente. Segundo o governo, sete pessoas ficaram feridas.

Maduro atribuiu o fato à "extrema-direita venezuelana em aliança com a extrema-direita colombiana" e afirmou não ter dúvidas de que "o nome de Juan Manuel Santos está por trás deste atentado".

 O presidente da Colômbia rejeitou qualquer participação no atentado e disse que tem coisas mais importantes a fazer. "Por Deus! Sábado estava em uma coisa muito mais importante, estava batizando minha neta", disse Santos, que deixará a presidência nesta terça-feira, quando assume seu sucessor, Iván Duque.

Segundo Saab, "foi uma tentativa não somente de magnicídio, porque o principal alvo era a figura do presidente, mas eu poderia qualificá-lo como uma tentativa de massacre porque estávamos lá presentes chefes de poderes públicos e o alto comando militar".

"No dia do fato foram detidas em flagrante duas pessoas que operavam um dos drones. Há testemunhas que viram o aparelho decolar e os identificaram", explicou o procurador, afirmando que as investigações continuam.

Segundo o governo, as seis pessoas que foram detidas serão acusadas pela Procuradoria pelos crimes de traição à pátria, homicídio intencional qualificado em grau de frustração, homicídio frustrado e lesões graves, lançamento de bomba em reuniões públicas, terrorismo, formação de quadrilha e financiamento do terrorismo. 

No domingo, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza,vinculou a célula rebelde que foi desmantelada e era dirigida pelo ex-policial morto Oscar Pérez ao atentado com explosivos do qual Maduro saiu ileso. O assalto ao Forte Paramacay aconteceu em 6 de agosto do ano passado, quando um grupo de militares rebeldes roubaram fuzis e lança-granadas do quartel situado no estado de Carabobo.

Centenas de apoiadores de Maduro, munidos de bandeiras se reuniram no centro de Caracas nesta segunda-feira para defender o líder de esquerda depois de ataques de drones que o governo classificou como uma tentativa de assassinato. Maduro, cujo índice de aprovação paira em torno de 25% e cujos opositores culpam suas políticas pelo agravamento de um colapso econômico, conclamou os apoiadores do governo a se unirem diante do que descreveu como complôs da direita liderados pelo governo colombiano e por exilados nos Estados Unidos. / AFP, EFE e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.