Para vice-secretário-geral da ONU, "míssil guiado" matou observadores

O vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Egeland, assegurou nesta quarta-feira que um "míssil guiado" israelense provocou a morte dos quatro observadores militares da Força Interina da ONU no Líbano (Finul). As afirmações de Egeland foram reforçadas por um relatório da organização que informou que membros da Finul contataram o Exército israelense por 10 vezes antes do bombardeio, pois a região em que o posto está localizado vinha sendo atacada há horas."É verdadeiramente trágico o que aconteceu com companheiros de China, Áustria, Finlândia e Canadá", disse Egeland em entrevista por telefone.Egeland, que está no Oriente Médio para estudar o envio de ajuda humanitária à população libanesa, disse que "três dos quatro mortos eram pais" e explicou que sua morte ocorreu "após um bombardeio repetitivo" contra o edifício onde funcionava o posto de observadores da Finul e foi causado por um "míssil guiado".O norueguês reiterou que a ONU pediu a abertura de "uma investigação imediata" dos fatos e exigiu a Israel "o fim imediato das hostilidades" no Líbano.Além disso, Egeland disse ao jornal norueguês VG que a ONU "necessita de mais garantias de segurança de Israel para enviar comboios com ajuda de emergência" ao país.O alto funcionário da ONU afirmou que o "ocorrido na terça é um sinal de que a situação não está sob controle".Apesar disso, Egeland assegurou que o primeiro comboio de dez caminhões com dez toneladas de ajuda humanitária (remédios, comida, material sanitário e de fornecimento de água potável) sairá de Beirute hoje com destino à cidade de Tiro.EnganoO primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, lamentou as mortes numa conversa com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Ele garantiu que o incidente foi um engano.Olmert informou a Annan que já está organizando uma investigação as causas e prometeu informar os resultados.Annan já tinha declarado na terça à noite que o ataque "aparentemente foi deliberado". Segundo fontes militares israelenses, a base da Finul se encontra junto a uma instalação do Hezbollah.A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, também lamentou "o infeliz incidente" na Finul.Em entrevista coletiva junto ao prefeito da cidade israelense de Haifa, Yona Yahav, Livni ressaltou que a ação não foi deliberada e afirmou que o exército abriu uma investigação para esclarecer o ocorrido.A chefe da diplomacia israelense disse também que enviou suas condolências às famílias dos soldados mortos, de Áustria, Finlândia, Canadá e China.Ao mesmo tempo, Livni afirmou que o motivo de sua visita a Haifa era para mostrar seu apoio à população desta cidade, a terceira maior de Israel e o principal porto de saída do país ao Mediterrâneo, que está sendo bombardeada pelo Hezbollah.Livni ressaltou que foi a Haifa para que "o mundo veja que em Israel também se sofre", devido aos ataques contra as cidades do norte do país e os confrontos no sul do Líbano.Texto atualizado às 14h

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