Para Zelaya, vazamentos mostram 'cumplicidade' dos EUA com golpe em Honduras

Presidente deposto há mais de um ano diz que revelações do Wikileaks revelam 'silêncio' dos EUA sobre sua queda.

Claudia Jardim, BBC

30 de novembro de 2010 | 07h39

Manuel Zelaya está asilado na República Dominicana

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse que o vazamento de informação da embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa, "evidenciam a cumplicidade" do governo norte-americano com sua retirada, à força, do poder.

"Ficou evidente a cumplicidade dos EUA ao conhecer previamente a planificação e execução do golpe de Estado e guardar silêncio, assim como seu conhecimento pontual dos fatos posteriores", afirmou Zelaya, em uma carta lida pela rádio Globo, de Honduras.

Para o presidente deposto, que está asilado na República Dominicana, os documentos revelam a "trama" que termina por "deslegitimar" o governo do atual presidente hondurenho, José Pepe Lobo.

"Agora temos certeza de que sempre souberam a verdade", disse Zelaya.

Para Zelaya, que foi levado da casa presidencial ainda de pijamas por militares, em 28 de junho do ano passado, os documentos são uma "revelação de que os EUA estavam muito conscientes do golpe de Estado" e "colocam em sérios apertos a administração Obama".

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, foi a principal mediadora dos fracassados acordos para restituir Zelaya ao poder.

Em um dos documentos vazados pelo site Wikileaks, o embaixador dos EUA em Tegucigalpa, Hugo Llorens, afirma que "não há dúvidas" de que a Corte Suprema e o Congreso Nacional atuaram "ilegalmente" e "inconstitucionalmente" ao derrubar Zelaya e colocar Roberto Micheletti na Presidência.

Zelaya disse que levará os documentos a cortes internacionais. A seu ver, "não há coerência" na postura dos EUA, que "apóiam o ditador para fazer eleições e silenciam sobre a impunidade aos golpistas".

Há exatamente um ano, o governo de fato de Honduras, liderado por Micheletti, organizou controvertidas eleições presidenciais que legitimaram Pepe Lobo no poder.

Para a Frente Nacional de Resistência, que durante mais de três meses realizou protestos diários contra a deposição de Zelaya, Lobo representa a "institucionalização do golpe de Estado".

A legitimidade do atual mandatário também é questionada pela maioria dos países latino-americanos. O governo hondurenho continua afastado da Organização de Estados Americanos (OEA).BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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