Paradeiro de guerrilheiros reacende tensão entre Colômbia e Venezuela

Colômbia diz ter documentos que provam a presença de chefes das Farc e do ELN no país vizinho

estadão.com.br

16 de julho de 2010 | 14h39

BOGOTÁ - As tensões entre Colômbia e Venezuela voltaram a crescer nesta sexta-feira, 16, com a reação de Caracas ao anúncio de Bogotá, na quinta, de que o governo teria provas "claras, concretas e confirmadas" da presença de líderes guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército da Libertação Nacional (ELN) no país vizinho.

 

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O ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, convocou uma coletiva para denunciar a presença de Iván Márquez, Rodrigo Granda, Timoleon Jiménez e German Briceno, todos das Farc, e Carlos Marin Guarin, do ELN, na Venezuela, afirmando que "essa tolerância permanente" por parte de Caracas representa uma ameaça à segurança colombiana.

 

A reação venezuelana veio nesta sexta, com a rejeição das acusações e alegações de que o anúncio é uma "tentativa desesperada" de minar a eventual normalização das estremecidas relações diplomáticas entre os países. Segundo a chancelaria venezuelana o anúncio de Silva não passava de "uma nova tentativa do atual presidente (Álvaro Uribe) de acabar com as relações entre os dois países, o que tem empreendido com obsessão doentia nos últimos anos".

 

Caracas qualificou o anúncio de Bogotá como "um patético espetáculo midiático que constitui uma tentativa desesperada para desestabilizar o terreno de uma eventual normalização de relações bilaterais".

 

Tensões

 

O pronunciamento do governo colombiano retomas as tensões entre Bogotá e Caracas, congeladas há quase um ano. A eleição do presidente Juan Manuel Santos, do mesmo partido de Uribe, na Colômbia despertou esperanças de que as relações diplomáticas entre os países pudessem ser normalizadas, uma vez que ambas as partes mostraram-se "dispostas" a dialogar.

 

Chávez e Santos, porém, não cultivam bons laços. O colombiano é um ex-ministro da Defesa que comandou uma política de tolerância zero contra os rebeldes em seu país e é considerado um "homem de guerra" pelo líder venezuelano. Santos, por sua vez, já disse que ele e Chávez são como "água e óleo e não se misturam."

 

As relações diplomáticas entre os vizinhos foram interrompidas por decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, após a acusações colombianas de que haveria um suposto desvio de armas da Venezuela para as Farc. Chávez disse que tais alegações são "irresponsáveis".

 

As tensões aumentaram em outubro de 2009, quando a Colômbia assinou um acordo com os EUA que permite que os americanos utilizem instalações militares no território colombiano para combater o narcotráfico e o terrorismo. Chávez se opõe contundentemente ao acordo, principalmente por autorizar os soldados americanos a atuar tão perto de seu país.

 

Embaixador

 

O embaixador da Venezuela na Colômbia, Gustavo Márquez, foi convocado pelo governo para reuniões com o presidente Hugo Chávez e advertiu que o anúncio da suposta presença de líderes guerrilheiros em seu país é uma ação orquestrada por Bogotá e Washington.

 

Pouco antes de embarcar para Caracas, o diplomata disse que deve ser destacada a presença do embaixador americano em Bogotá na coletiva de imprensa na qual o ministro colombiano da Defesa anunciou ter provas de que chefes rebeldes se escondem na Venezuela. "Temos que destacar a presença do embaixador William Brownfield na entrevista onde o ministro colombiano fez os pronunciamentos", disse.

 

Segundo Márquez, o anúncio é "uma ação onde se encontram a política de ação do Departamento de Estado dos EUA e lamentavelmente o governo do presidente colombiano Álvaro Uribe". O diplomata reiterou a posição de Caracas, dizendo que o objetivo do anúncio é sabotar o processo de reconstrução das relações diplomáticas entre Santos e Chávez.

 

Apenas poucos diretores de meios de comunicação locais tiveram acesso ao material, cuja divulgação não foi autorizada pelo governo por "motivos de segurança".

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