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Paraguai acusa Chávez de subornar senadores

Presidente do Congresso diz que irmão de presidente venezuelano pagou US$ 100 mil a parlamentar

estadão.com.br,

02 de agosto de 2012 | 21h38

ASSUNÇÃO - O presidente do Senado paraguaio, Jorge Oviedo, acusou nesta quinta-feira, 2, um irmão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de ter oferecido US$ 100 mil a uma senadora do país para acelerar o processo de adesão de Caracas ao Mercosul. A denúncia foi feita dois dias depois da adesão formal da Venezuela ao bloco.

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O processo estava emperrado havia anos no Senado. Com a suspensão de Assunção do bloco, em razão do impeachment do presidente Fernando Lugo, a entrada da Venezuela foi aprovada. O novo governo paraguaio, chefiado Federico Franco, acusou Chávez de buscar retorno eleitoral com a adesão.

"O oferecimento do irmão de Chávez foi denunciado ao Senado em outubro pela senadora Zulma Gómez, que disse ter recebido US$ 100 mil", disse Oviedo. A denúncia é uma resposta à acusação do presidente venezuelano de que senadores paraguaios pediam dinheiro para aprovar a entrada do país no Mercosul.

De acordo com Chávez, com a suspensão de Assunção do bloco, a adesão venezuelana ocorreu sem chantagens. "Um grupo de senadores paraguaios me pediu dinheiro", afirmou Chávez na quarta-feira. "Pediram milhões de dólares."

Segundo Oviedo, no entanto, a oferta de propina partiu da Venezuela. "Até mesmo foi discutida uma maneira de trazer o dinheiro sem que houvesse fiscalização", declarou o senador. "Se é verdade que os senadores tentaram extorquir dinheiro dele, por que a Venezuela só entrou agora no Mercosul? É mentira."

Desde o impeachment de Lugo, as relações entre Paraguai e Venezuela pioraram. Poucos dias após o afastamento do presidente, o novo governo paraguaio acusou o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, de incitar os militares paraguaios a resistir ao impeachment. O gabinete de Franco chegou a divulgar um vídeo no qual Maduro é visto em uma sala com o alto-comando militar paraguaio.

O governo venezuelano negou as acusações e disse que a reunião fez parte da missão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que tentou, sem sucesso, pôr um fim negociado à crise paraguaia. A diplomacia venezuelana considerou o impeachment um golpe de Estado.

Com Efe

 
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