Paraguai admite fracasso para prender rebeldes

O governo do Paraguai não conseguiu prender nenhum membro do grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP) durante os 30 dias do estado de exceção, admitiu hoje o ministro do Interior, Rafael Filizzola. O estado de exceção está em sua última semana de vigência e vale para cinco departamentos (Estados) do norte do país.

AE-AP, Agência Estado

18 Maio 2010 | 14h14

O EPP é uma organização de esquerda, dissidência do Partido Pátria Livre, sem representação parlamentar. O grupo rebelde se dedica a sequestros, desde 2008, para arrecadar dinheiro, e ataca pequenos quartéis da polícia e dos militares. Em abril, militantes do grupo assassinaram um policial e três funcionários de uma fazenda em Concepción, quando tentavam roubar alimentos.

O estado de exceção está vigente desde o último dia 25 e "terminará à meia-noite da próxima segunda-feira, encerrando a tarefa conjunta de militares e policiais nos departamentos de Concepción, San Pedro, Amambay, Villa Hayes e Alto Paraguay", no norte do país, disse um porta-voz dos militares paraguaios, coronel Cayo Arréllaga.

Filizzola, por sua vez, reconheceu em entrevista coletiva que "dos 40 membros do EPP detidos atualmente, a metade foi capturada sob o governo do presidente Fernando Lugo, e cremos que foi cortado o sistema logístico desse grupo de delinquentes".

O ministro afirmou que "não se pode esperar milagres da noite para o dia" e lembrou que alguns líderes do grupo têm mandados de prisão contra si desde 2002 e 2004. "Em outros países, há delinquentes que estão há mais de dez anos com ordens de prisão", comparou.

Filizzola disse que não defende a manutenção do estado de exceção, pois isso prejudica a imagem do Paraguai no exterior e, "além disso, custa muito dinheiro". "Então, deveríamos buscar outros mecanismos legais para lutar contra a delinquência."

Na semana passada, a Rádio Primero de Marzo, de Assunção, divulgou um comunicado atribuído ao EPP. O grupo afirma que recorrerá a ataques contra as forças oficiais e os seguranças nas fazendas "nas mãos da oligarquia tantas vezes seja necessário", até que se consiga "a liberação do povo, para se instalar a felicidade do povo".

Mais conteúdo sobre:
Paraguai estado de exceção rebeldes

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.