REUTERS/Jorge Adorno
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Paraguai afasta possibilidade de impeachment

Presidente da Câmara diz que não quer que ninguém chegue à presidência ‘pela janela’, mas insiste em investigação sobre Itaipu

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 22h36

ASSUNÇÃO - O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Pedro Alliana, afirmou nesta quarta-feira que não existe a possibilidade de um julgamento político contra o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, e seu vice, Hugo Velázquez, o que poderia levar ao impeachment. Ele acrescentou que não quer que ninguém chegue à presidência “pela janela”, mas insistiu para que tudo relacionado à hidrelétrica de Itaipu seja investigado.

A sessão da Câmara dos Deputados que debateria o pedido de julgamento político protocolado na terça-feira por 32 deputados opositores não ocorreu por falta de quórum. Apenas 39 dos 80 deputados se apresentaram. Os legisladores opositores colocaram cartazes em frente a suas bancadas com a frase: “Julgamento político já!”.

Alliana, presidente do Partido Colorado (ANR) reiterou que seu partido tomou uma posição e não apoiará o julgamento político de Benítez. “Mas o ato bilateral terá de ser completamente investigado”, disse Alliana ao jornal paraguaio ABC Color. “Não queremos chantagear nem queremos participar do governo.”

Na terça-feira, a parcela do Partido Colorado vinculada ao ex-presidente Horacio Cartes reuniu-se na casa dele, segundo o jornal paraguaio ABC Color, para avaliar se retiraria o apoio a Abdo Benítez, o que poderia viabilizar o andamento do impeachment. A hipótese foi descartada.

São necessários ao menos 53 votos para aprovação no plenário da Câmara, de um total de 80. A situação é semelhante no Senado, onde, de um total de 45, necessita-se de 30 votos. A oposição não soma mais de 20.

Mesmo assim, o grupo liderado pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), opositor ao governo, alinhou-se a partidos menores e apresentou o pedido de julgamento político.

A legenda do presidente, o Partido Colorado, que chegou a ser a favor do impeachment, retirou o apoio no dia 1.º, após o anúncio do cancelamento do acordo com o Brasil. A sigla argumenta que, já que não há mais pacto, o Paraguai não será prejudicado.

Mesmo assim, o assunto ainda não está encerrado. Foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na segunda-feira, com membros da Câmara e do Senado, que investigará a atuação de Abdo Benítez e Velázquez nas negociações do acordo referente à alteração das tarifas para compra de energia do Paraguai pelo Brasil. 

De acordo com as trocas de mensagens entre o ex-presidente da Administração Nacional de Eletricidade (Ande), Pedro Ferreira, e Abdo Benítez, divulgadas pelo ABC Color, Ferreira calculava que a mudança custaria ao Paraguai entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões.

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