REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Paraguai convoca embaixador venezuelano para entregar nota de protesto após declarações

Chanceler Jorge Arreaza se referiu em suas redes sociais a Michel Temer e Horacio Cartes como ‘dois dinossauros da política’ que ‘conspiram contra a democracia venezuelana’

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 11h38

ASSUNÇÃO - O Paraguai convocou na quinta-feira 24 o embaixador da Venezuela, Alfredo Murga, para entregar-lhe uma nota formal de protesto dirigido ao chanceler de seu país, Jorge Arreaza, por suas declarações contra o Paraguai, segundo um comunicado divulgado pela chancelaria paraguaia.

Arreaza publicou diferentes mensagens em suas redes sociais e na página da chancelaria venezuelana que tinham como alvo os presidentes do Paraguai, Horacio Cartes, e Michel Temer, após a visita do líder paraguaio ao Brasil na segunda-feira 21.

O chanceler se referiu a Cartes e Temer como "dois dinossauros da política" que "conspiram contra a democracia venezuelana", segundo uma mensagem divulgada em sua conta no Twitter. Ele também assegurou na mesma rede social que os governos de Paraguai e Brasil são "impopulares" e "produtos de golpes de Estado", razão pela qual "carecem de moral para falar de democracia".

Perante estas declarações, o vice-ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Óscar Cabello, entregou uma nota de protesto ao embaixador venezuelano na qual lembrava que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, felicitou "o irmão povo paraguaio" após as eleições de abril de 2013 e reconheceu o "presidente eleito Horacio Cartes".

A respeito das acusações de ilegitimidade do governo paraguaio, Cabello salientou perante Murga que Cartes foi eleito em pleitos "limpos, transparentes e democráticos, com uma participação de 68,52%". A chancelaria paraguaia também manifestou em sua nota que as declarações de Arreaza "ofendem a dignidade" do povo paraguaio e "faltam com a verdade".

Arreaza publicou as mensagens após uma reunião bilateral de Temer e Cartes em Brasília. Na ocasião, os dois governantes denunciaram "a ruptura da ordem democrática venezuelana" e a "violação sistemática dos direitos humanos e das liberdades fundamentais" por parte do governo chavista.

Em sua declaração conjunta, os presidentes de Brasil e Paraguai insistiram no seu apoio à decisão do Mercosul de suspender a Venezuela do bloco regional, e voltaram a indicar que não reconhecem nenhum dos atos da Assembleia Nacional Constituinte, que possui um "caráter ilegítimo". / EFE

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