Paraguai detém mais 2 por ataque a senador e pede extensão de emergência

Suspeita. Polícia paraguaia afirma que dados de computador apreendido com um dos brasileiros presos ontem reforçam a tese de que o atentado, que matou dois seguranças do político na segunda-feira, foi executado por integrantes da facção criminosa PCC

João Naves de Oliveira, ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

A polícia paraguaia prendeu ontem mais dois brasileiros - identificados como Daniel Santos e Jusué dos Santos - suspeitos de terem participado no atentado de segunda-feira, quando um grupo armado crivou o carro do senador paraguaio Robert Acevedo com 60 disparos de fuzil, matando seus dois guarda-costas e ferindo o parlamentar no braço e na cabeça.

Além deles, outros dois suspeitos - Eduardo da Silva e Marcos Cordeiro Pereira - estão detidos desde de terça-feira no Paraguai. Eles foram capturados em Pedro Juan Caballero, vizinha à cidade sul-mato-grossense de Ponta Porã. Os investigadores paraguaios insistem na tese de que os quatro brasileiros, todos de São Paulo, teriam agido em nome da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A polícia disse ter encontrado no computador de um dos suspeitos preso ontem provas da ligação dos quatro com o PCC. Os brasileiros, entretanto, dizem que estavam no Paraguai para um encontro evangélico.

Ao mesmo tempo, em Assunção, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, encaminhou ao Congresso um pedido para que o estado de emergência, que vigora em Amambay - região da qual Pedro Juan Caballero é capital - e outros quatro departamentos (Estados) do país, se prolongue por mais 30 dias. Lugo alega que 30 dias é pouco tempo para que as forças de segurança combatam o crime organizado e a guerrilha Exército do Povo do Paraguai, acusada de praticar sequestros para o fim de extorsão. Inicialmente, Lugo havia pedido à Câmara e ao Senado que o estado de emergência vigorasse por 60 dias, mas os congressistas reduziram o prazo pela metade.

O Departamento (Estados) de Amambay, onde ocorreu o atentado, é considerado um dos principais pontos de cultivo de maconha e entreposto para a cocaína que entra no Brasil vinda da Bolívia.

A Justiça paraguaia vincula grupos do crime organizado com o EPP que, por seu lado, teria ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ontem, mais de 500 manifestantes saíram às ruas de Pedro Juan Caballero para protestar contra a presença de grupos armados organizados na região. As manifestações aumentaram o clima de tensão e coincidiram com a visita de Lugo à cidade. A chegada do presidente foi acompanhada de amplo reforço nos contingentes de policiais e soldados do Exército.

Imposto. O ministro da Economia, Dionisio Borda, aproveitou a comoção provocada pelo atentado para defender um projeto de lei sobre o imposto de renda que tramita no Congresso desde 2003. Segundo ele, "os parlamentares devem aprovar o projeto pelo qual o fisco arrecadaria entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões anuais para sustentar os planos de segurança pública". Borda estimou que, com a demora do Congresso em aprovar o projeto, "o fisco já deixou de arrecadar pelo menos US$ 180 milhões em seis anos". / COM AP E EFE

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