Paraguai deve incluir Venezuela no Mercosul

Senado prevê para hoje início da discussão sobre ingresso venezuelano; país é o único do bloco que ainda não deu sinal verde para Caracas

Ariel Palacios,

10 de dezembro de 2010 | 00h35

O Senado do Paraguai pode debater hoje a entrada da Venezuela no Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A expectativa é grande em Caracas, já que o governo do presidente Hugo Chávez espera um sinal verde do Senado paraguaio - o único que falta em todo o Mercosul - há mais de dois anos.

Em Assunção, a entrada da Venezuela no bloco é objeto de manobras políticas do governo e da oposição, além de ser tema de rumores a respeito de "incentivos econômicos" supostamente oferecidos por Caracas a vários senadores paraguaios. Os boatos incluem a oferta de cargos públicos à oposição em troca da aprovação.

O senador Sixto Pereira, do Partido Popular Tekojoja, de esquerda, que integra a coalizão de governo de Fernando Lugo, negou os boatos. Representantes da União de Cidadãos Éticos, partido de oposição de direita, comandado pelo general Lino Oviedo, que ocasionalmente vota a favor do governo, também negaram o suborno e ressaltaram que o grupo opõem-se à entrada da Venezuela no bloco.

"Veremos se todos mantêm as posições contra Chávez na sessão de sexta-feira (hoje)", disse com ironia o senador Juan Carlos Galaverna, do Partido Colorado, de oposição.

Recentemente, o jornal ABC Color, o principal do Paraguai, denunciou que Chávez teria enviado US$ 6 milhões para serem distribuídos entre os oviedistas e integrantes do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), que integra a base governista, apesar dos conflitos com Lugo.

Atualmente, a Venezuela é um "sócio em estado de adesão" ao Mercosul - não é membro pleno do bloco. Nos últimos anos, o ingresso foi aprovado pelos congressos de Argentina, Uruguai e Brasil. No entanto, há dois anos a questão está atravancada no Senado do Paraguai.

Ontem, a presidência havia retirado da agenda o caso da Venezuela, já que Lugo calculava que não tinha maioria para a aprovação. No entanto, o presidente do Senado, o opositor Óscar González Daher, entrou com uma inesperada resolução para tratar o caso venezuelano.

Indefinição. A manobra dos colorados poderia ser uma jogada para tumultuar o cenário político, já que o partido não conseguiu participar da recente distribuição de cargos na Corte Suprema de Justiça, na promotoria-geral e no Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. O debate pode ainda ser retirado do plenário na última hora e adiado para o ano que vem.

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