Iván Franco/Efe
Iván Franco/Efe

Paraguai deve voltar ao Mercosul em agosto, diz chanceler uruguaio

Segundo Almagro, países do bloco mostraram 'boa disposição' para o retorno de Assunção

Ariel Palácios, enviado especial ao Uruguai,

11 de julho de 2013 | 15h00

MONTEVIDÉU - O chanceler do Uruguai, Luis Almagro, afirmou nesta quinta-feira, 11, que os governos do Mercosul possuem "boa disposição" para o retorno do Paraguai ao bloco no dia 15 de agosto. Nessa data, o empresário Horacio Cartes assume a presidência do país.

Os ministros das relações exteriores do Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela participam desde a manhã desta quinta-feira na capital uruguaia da reunião de cúpula do Mercosul. O Paraguai foi suspenso do bloco em julho de 2012 durante cúpula do bloco. Na ocasião, Brasil, Argentina e Uruguai decidiram pela remoção temporária do Paraguai, mas sem barreiras comerciais.

O motivo da punição, estimulada principalmente pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi o impeachment que o Parlamento do Paraguai deu ao então presidente Fernando Lugo. A queda de Lugo foi considerada uma "interrupção da ordem democrática" pelos três países restantes do bloco, que aproveitaram a ausência do Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul.

Embora a volta do Paraguai ao bloco possa ser aprovada nesta quinta-feira, em Assunção o clima é de ofensa nacional pelo tratamento recebido do Mercosul porque o governo do presidente Federico Franco e a equipe do presidente eleito Horacio Cartes consideravam que o bloco reintegraria o Paraguai de forma plena após as eleições presidenciais de abril de 2012. Além disso, em Assunção existia a expectativa de que o bloco passaria a presidência pro-tempore ao Paraguai, mas o comando semestral passará à Venezuela.

A decepção no Paraguai com o Mercosul está aumentando, levando os assessores de Cartes a avaliar o que denominam de "desmercosulização" da relação com os sócios. Segundo fontes indicaram ao Estado, a ideia avaliada em Assunção é a de manter temporariamente relações separadamente com cada sócio, em vez de pensar de forma "conjunta" dentro do Mercosul.

Além disso, o entourage de Cartes avalia incrementar as relações com a Aliança do Pacífico, grupo comercial que reúne Chile, Peru, Colômbia e México e que desponta como virtual futuro rival do Mercosul na região. "A Aliança aceitou o pedido do presidente Franco de tornar o Paraguai 'observador' da associação. E Cartes concordou com isso."

A equipe do presidente eleito definiu que o país não participará de qualquer ato nem assinará documento oficial algum do Mercosul enquanto a Venezuela for tratada como sócio pleno do bloco, já que o Senado paraguaio nunca aprovou a entrada do país caribenho.

Cartes propõe que, se o Paraguai assumir a presidência pro-tempore do Mercosul, ocorra a retomada da discussão no Senado sobre a entrada da Venezuela. No entanto, Argentina, Brasil e Uruguai rejeitam a ideia, que implicaria em admitir que a inclusão da Venezuela foi realizada de forma arbitrária.

Venezuela. Os presidentes dos países fundadores do Mercosul aceitaram o pedido de entrada da Venezuela em 2006. Nos meses seguintes, o pedido tramitou nos parlamentos. Depois de ter sido aprovado pelos congressos nacionais do Uruguai, Argentina e Brasil, o ingresso venezuelano ficou bloqueado no Senado paraguaio, onde a oposição - que tinha a maioria - rejeitava a entrada venezuelana.

O então presidente Lugo, amigo de Hugo Chávez, fracassou em tentar convencer os senadores paraguaios. Na época, em Assunção, surgiram diversas denúncias de tentativas de subornos a senadores paraguaios por parte de Caracas que nunca foram confirmadas.

Os países do bloco decidiram então promover a Venezuela ao posto de "sócio pleno em estado de adesão". Em dezembro de 2011, durante a cúpula do Mercosul no Uruguai, o presidente uruguaio, José Mujica, propôs um "drible jurídico" - chamado ironicamente de "a manobra Mujica" - para que a entrada da Venezuela fosse aprovada diretamente por Lugo.

A proposta causou polêmica em Assunção, onde parlamentares da oposição ameaçaram abrir um processo de impeachment caso Lugo decretasse a entrada da Venezuela, passando por cima do Senado. A entrada venezuelana no bloco tornou-se possível com a suspensão temporária do Paraguai.

 
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