Juan Mabromata/AFP
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Paraguai diz que sua suspensão do Mercosul carece de 'validade legal'

Para o ex-presidente Fernando Lugo, punição castiga apenas 'a classe política do país'

estadão.com.br,

29 de junho de 2012 | 19h47

Texto atualizado às 20h19

ASSUNÇÃO - O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández, afirmou nesta sexta-feira, 29, que a decisão do Mercosul de suspender o país do bloco carece de "validade formal e legal", e "deplorou" a incorporação da Venezuela ao bloco formado também por Brasil, Argentina e Uruguai.

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Em entrevista coletiva, Fernández acrescentou que a continuidade do país no Mercosul dependerá do "povo paraguaio", assim como de uma reflexão do Executivo do presidente Federico Franco, e anunciou que seu Governo "promoverá" as ações que forem necessárias para deixar "sem efeito" a suspensão.

O ex-presidente Fernando Lugo, por outro lado, declarou que a suspensão está de acordo com as normas do bloco e castiga "exclusivamente à classe política paraguaia". Lugo também saudou o fato de que a Argentina, Brasil e Uruguai não tomarão nenhuma medida econômica que prejudique ao povo paraguaio.

Em seu "quartel-general" do minoritário Partido País Solidário, do esquerdista frente Guazú, Lugo disse que, com essa decisão, "a democracia da região sancionou a classe política paraguaia".

O ex-governante ainda considerou que a decisão de suspender a participação do Governo de seu sucessor, Federico Franco, está de acordo com as normas vigentes no Mercosul. "Tais normas foram elaboradas justamente como resposta a uma ameaça de interrupção do processo democrático paraguaio no ano 1996", lembrou Lugo.

Conferência

Mais cedo, durante a conferência do Mercosul, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, informou a incorporação da Venezuela no bloco e a suspensão do Paraguai, até que o país realize eleições "livres e democráticas". "Para garantir a realização de eleições livres e democráticas no Paraguai, propomos criar uma comissão que será integrada por todos os países do Mercosul (sócios plenos e associados) e da Unasul", ressaltou Cristina.

Segundo a presidente, o bloco regional vai aceitar os resultados da decisão do voto popular no Paraguai e não vai aplicar sanções econômicas ao país. "Não serão aplicadas sanções econômicas contra o Paraguai, já que nosso objetivo é a melhora econômica das pessoas que moram no Cone Sul e no resto da América do Sul."

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, afirmou, ao receber a presidência pro tempore do Mercosul, que durante sua gestão vai assegurar que as próximas eleições no Paraguai sejam democráticas, livres e justas. "Nós temos, na constituição do Mercosul, um compromisso democrático fundamental, que é aquele que prima por respeitar os princípios do direito de defesa, é aquele que prima por rejeitar ritos sumários e zelar para que a manifestação dos legítimos interesses dos povos dos nossos países sejam assegurados. Por isso, temos de fazer os nossos melhores esforços para que as eleições de abril próximo, no Paraguai, sejam democráticas, livres e justas", disse Dilma.

Um documento oficial do Mercosul sobre a incorporação da Venezuela convoca "todos os países da América do Sul para que se unam no complexo cenário internacional atual". O objetivo, de acordo com a carta, é "conseguir que o processo de aumento da inclusão social visto na última década em nossa região se aprofunde e atue como fator de estabilidade econômica e social".

Com Efe 

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