Paraguai está preocupado com atividades de Oviedo no Brasil

A Chancelaria paraguaia emitiu hoje um comunicado em que expressa a preocupação do governo a respeito das atividades políticas desenvolvidas pelo ex-general golpista Lino Oviedo no Brasil, onde permanece refugiado após Brasília ter negado o pedido de extradição feito pelo governo de Assunção. "A Chancelaria tem seguido com preocupação tais atividades, que não beneficiam as excelentes relações tradionalmente mantidas" entre os dois países, expressou o comunicado. Oviedo vem mantendo reuniões políticas em cidades brasileiras fronteiriças com o Paraguai, por onde entram centenas de seus seguidores para se reunirem com ele do lado brasileiro. No último fim de semana, Oviedo esteve em Foz do Iguaçu e Ponta Porã, onde pronunciou discursos nos quais qualificou o governo e o atual presidente paraguaio, Luis González Macchi, de "ladrão" e "corrupto". Além disso, o ex-militar assegurou que a próxima reunião com seus correligionários será em território paraguaio, enquanto seus porta-vozes continuam afirmando que ele será candidato nas eleições de maio de 2003. A nota acrescenta que o governo paraguaio, através de seu embaixador no Brasil, já expressou a mesma "sensível preocupação" em 14 de maio, e recebeu da Chancelaria brasileira "o firme compromisso de colaborar para atender às preocupações manifestadas pelo governo paraguaio". Termina dizendo que o Paraguai continuará insistindo, "através dos meios que considerar adequados, até conseguir o que foi solicitado". Oviedo é acusado de ter ordenado o assassinato do vice-presidente Luis Argaña e de sete manifestantes em março de 1999, e antes havia sido condenado a 10 anos de prisão por uma tentativa de golpe em 1996, além de ter sido despojado de sua patente militar. Segundo autoridades da Corte Suprema de Justiça e do Superior Tribunal Eleitoral, Oviedo está impedido de se candidatar às eleições presidenciais de 2003.

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