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Paraguai mobiliza mil agentes para deter guerrilheiros no norte do país

Medida faz parte do estado de exceção decretado em cinco províncias para capturar membros do EPP

Agência Estado e Reuters,

26 de abril de 2010 | 20h10

Sob a mira de organizações de defesa dos direitos humanos, mil agentes policiais e militares se deslocaram nesta segunda-feira, 26, para zonas de floresta de cinco departamentos (estados) do Paraguai em busca do grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), segundo informou o ministro do Interior, Rafael Filizzola.

 

"Estamos coordenando com os governos desses departamentos a habilitação de escritórios para as organizações de defesa dos direitos humanos a fim de verificar que, durante as ações, não ocorram excessos", disse o presidente Fernando Lugo em uma coletiva de imprensa na residência presidencial..

 

"O objetivo operacional concreto (do estado de exceção) foi permitir a participação das forças militares em tarefas armadas, o que não seria possível sem ele", explicou Lugo.  

 

"Nenhum direito constitucional está sendo suspenso com esta medida. A vida das pessoas deve transcorrer de forma normal nas regiões", acrescentou o presidente.

O Congresso aprovou o plano de Lugo contra a guerrilha com uma lei de exceção, medida que nos tempos da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989), era denominado estado de sítio.

 

Lugo reiterou que "queremos devolver a tranquilidade a toda essa região e, sem dúvida nenhuma, o objetivo principal é capturar os membros do EPP que cometeram uma série de crimes horrendos". "Paralelamente, se encontrarmos grupos de narcotraficantes ou contrabandistas de madeira, também serão presos", acrescentou.

Lugo anunciou, durante entrevista à imprensa hoje, que o general Ramón Pineda foi o escolhido para comandar as operações que, no prazo de 30 dias, terão de capturar integrantes do EPP numa extensa zona de selva ao longo dos departamentos de San Pedro, Concepción, Amambay, Villa Hayes e Alto Paraguay.

Guerrilha

Cerca de 200 policiais se juntaram a integrantes da Aeronáutica, Exército e Marinha, além de investigadores da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

 

Também fazem parte do grupo membros de um comando antiterrorista com equipamentos de alta tecnologia, doados no ano passado pela embaixada dos Estados Unidos, com aparelhos de sobrevivência na selva e visores noturnos.

O grupo armado, uma facção radical do esquerdista Partido Pátria Livre, sem representação parlamentar, se apresenta formalmente como EPP e se dedica aos sequestro extorsivo desde 2008, mas em 1999 realizou assaltos a bancos e financeiras. Em entrevista anterior, Filizzola, disse que os integrantes do EPP "não são mais do que 40 pessoas, mas têm dez anos de treinamento.

 

Provavelmente, em meio às populações rurais existam simpatizantes que de alguma forma ajudam com logística e informações". Ele lembrou que até o momento "foram detidos pela promotoria antissequestros 16 pessoas (não combatentes) que aparentemente se encarregaram da logística do grupo".

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