Paraguai prende brasileiros suspeitos de participar de atentado, diz jornal

Ataque da segunda-feira deixou dois mortos e feriu gravemente o senador Robert Acevedo

Agência Estado

27 de abril de 2010 | 11h21

SÃO PAULO - A polícia do departamento (Estado) paraguaio de Amambay prendeu dois brasileiros oriundos de São Paulo e de Vitória, informou nesta terça-feira, 27, o jornal La Nación. O diário afirma que, aparentemente, a dupla está ligada ao ataque que deixou gravemente ferido o senador Robert Acevedo.

 

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O ataque a tiros, ocorrido no fim da tarde de segunda-feira, em Pedro Juan Caballero, matou dois guarda-costas de Acevedo, do governista Partido Liberal. O político possui uma emissora de rádio e frequentemente critica a corrupção e os narcotraficantes.

 

Segundo o La Nación, o chefe da polícia departamental, Francisco González, confirmou a prisão da dupla de brasileiros. Nevailton Marcos Cordeiro, que seria do Estado de São Paulo, e Eduardo da Silva, de Vitória (ES), foram presos em Pedro Juan Caballero. Eles seriam ligados, segundo a Polícia, ao grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital), o que ainda não foi confirmado.

 

O diário cita a rádio 780 AM, segundo a qual as prisões ocorreram no bairro Virgen de Caacupé, na mesma cidade de Pedro Juan Caballero, fronteiriça com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

O chefe de polícia disse à rádio 1º de Marzo que a dupla brasileira era do Estado de São Paulo e vinha fugindo de operações policiais realizadas em favelas brasileiras. Ainda segundo González, os veículos apreendidos com os dois homens tinham chapas de São Paulo.

 

Acevedo deu declarações à imprensa paraguaia na tarde desta terça e revelou que os traficantes oferecem uma recompensa de US$ 300 mil para quem o matar. "Só tive dois ferimentos de bala no braço direito, me salvei milagrosamente. Não tenho dúvidas de que foi um ataque dos traficantes que colocaram um preço por minha cabeça. Segundo me informei, a recompensa é de US$ 300 mil", disse o senador.

 

A embaixada brasileira no Paraguai não havia confirmado as prisões até o fim da manhã desta terça. Segundo o órgão, caso se verifique o envolvimento dos brasileiros no caso, a embaixada será responsável por acompanhar o processo e se certificar de que os acusados estão recebendo assistência jurídica.

 

Atentado

 

O ataque contra o senador Acevedo ocorreu no centro da cidade, no leste do Paraguai. Segundo a polícia, o parlamentar dirigia sua caminhonete quando dois motoqueiros se aproximaram e dispararam cerca de 40 vezes contra o veículo, matando dois guarda-costas.

 

Acevedo está hospitalizado em estado grave, segundo a imprensa paraguaia. De acordo com fontes próximas, o senador havia recebido ameaças de morte por ter feito denúncias contra o narcotráfico e a corrupção na região.

 

O departamento de Amambay é um dos cinco onde vigora o estado de exceção aprovado pelo Congresso a pedido do presidente Fernando Lugo. A medida, segundo o governante, aumentará a repressão contra as guerrilhas que atuam na região norte do país.

 

(Atualizada às 16h12)

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