REUTERS/Jorge Adorno
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Paraguai tem nova renúncia após acordo com Brasil sobre Itaipu

Secretária de Prevenção de Lavagem de Dinheiro ou Bens se demitiu depois da divulgação de que seu filho teria interferido em reunião para que fosse retirado do acordo cláusula que permitiria ao Paraguai vender livremente sua energia excedente

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 15h54

ASSUNÇÃO - A secretária de Prevenção de Lavagem de Dinheiro ou Bens do Paraguai (Seprelad), María Epifania González, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 31, o que representa o quinto pedido de demissão de um ocupante de um posto de alto escalão no país na mesma semana, todos relacionados a um polêmico acordo feito em maio com o Brasil sobre a usina hidrelétrica de Itaipu.

María Epifania renunciou após ser divulgada pela imprensa paraguaia a notícia de que seu filho, José Rodríguez González, teria interferido em uma reunião com empresários brasileiros para que fosse retirado do acordo uma cláusula que dizia que o Paraguai poderia comercializar livremente sua energia excedente. Com isso, segundo opositores do governo do presidente Mario Abdo Benítez, teria agido contra os interesses nacionais.

A agora ex-secretária alegou ao à emissora de rádio Primero de Marzo, de Assunção, que deixou o cargo para dar apoio ao filho. "Não tinha ideia disso, acredito que por trás há muitas mentiras. Dei minha vida à Seprelad, e agora preciso dar minha vida a meu filho", declarou. 

"Acordei com essa notícia, e a Seprelad precisa de alguém que se dedique em tempo integral. Neste momento, não me sinto em condições de dar todo o meu tempo", acrescentou.

Rodríguez participou da reunião, de acordo com o jornal ABC Color, como assessor jurídico do vice-presidente do país, Hugo Veláquez, embora não tivesse sido nomeado oficialmente para este fim. Essas informação coincide com a declaração dada na terça-feira pelo ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, de que uma pessoa cuja identidade não foi revelada por ele teria instruído os negociadores paraguaios a tirar esse ponto do documento.

Ferreira renunciou ao cargo na semana passada ao se opor a esse pacto, que denunciou que tinha sido realizado por representantes do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai e sem participação de técnicos da Ande nas negociações.

Ainda segundo Ferreira, o acordo em questão foi assinado em Brasília em maio. Com isso, a oposição acusou o governo de Abdo Benítez de traição, alegando que se trata de uma entrega de soberania ao Brasil.

O acordo provocou a primeira grande crise política do presidente paraguaio em seu primeiro ano de mandato e foi suspenso pelo governo no domingo.

Na segunda-feira, a crise ganhou novos contornos com as demissões do chanceler Luis Alberto Castiglioni e do embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier, que havia liderado as negociações em Brasília. 

No mesmo dia também apresentaram renúncia o diretor do lado paraguaio da hidrelétrica de Itaipu, José Alberto Alderete, e Alcides Jiménez, que havia substituído Ferreira à frente da Ande. / EFE

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