Paraguai tem plano para obter mais vantagens com energia de Itaipu

Assunção tentará outra vez vender excedente de energia a outros países a preço de mercado

Tânia Monteiro,

01 de outubro de 2013 | 02h00

BRASÍLIA - Um dos principais interesses em comum entre Brasil e Paraguai, a Usina Hidrelétrica de Itaipu não foi citada ontem na conversa entre os presidentes Dilma Rousseff e Horacio Cartes. Mas isso não significa que o governo vizinho desistiu de tentar, mais uma vez, mudar o acordo feito há 40 anos.

O Brasil pode esperar "um plano concreto" paraguaio para tentar renegociar a possibilidade de vender sua parte na energia produzida para outros países. Deve incluir, também, questionamentos sobre a dívida paraguaia com o Brasil para a construção da usina.

Um ministro próximo a Cartes disse ao Estado que o presidente sabe que esse não é o momento para tratar do assunto. No entanto, o Paraguai pretende ter "um plano pronto, claro, para apresentar ao Brasil em algum momento". Nesse plano, deve entrar a exigência paraguaia de vender sua parte na energia a outros países em valores de mercado.

Hoje, o tratado exige que o sócio que não consuma sua parte venda o excedente para o outro - no caso, o Brasil paga US$ 240 milhões por 90% da energia que o Paraguai não consome.

A outra questão é a dívida paraguaia para construção da usina. Em 1973, quando foi firmado o tratado, o Brasil bancou a dívida, que o Paraguai pagaria com seus royalties pela energia produzida até 2023. Um relatório do economista americano Jeffrey Sachs, que o Brasil contesta, diz que a dívida já estaria paga.

Um dia depois da posse de Cartes, o novo presidente paraguaio da usina, James Spalding, já dava a entender que o país tinha planos de pressionar o Brasil a rediscutir esses pontos. "Tudo está sobre a mesa", disse ele. No mesmo dia, em sua primeira entrevista, Cartes afirmava que "faria tudo o que fosse benéfico ao Paraguai".

Ontem, em Brasília, ocupado em pedir apoio ao Brasil para construir pontes, estradas, ferrovias, linhas de transmissão e até outra represa, Cartes evitou o assunto. Mas deu sinais do que pode vir: "O Paraguai quer sentar-se à mesa de negociações porque acredita que tem atrativos naturais que Deus e a natureza deram ao Paraguai. Num momento em que o Paraguai tem um crédito que ontem não tinha, o Paraguai quer dizer ao Brasil que nós queremos negociar. E só queremos quando as coisas são úteis para nós: o ganha-ganha, o ‘win-win’." / Colaborou Lisandra Paraguassu

 

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