AP Photo/Sebastian Scheiner
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Paraguai volta sua embaixada para Tel-Aviv e Israel fecha representação em Assunção

Decisão de transferir embaixada para a cidade de Jerusalém foi tomada pelo então presidente Cartes em maio, que acompanhou medida semelhante de EUA e Guatemala; Autoridade Palestina decide abrir representação na capital paraguaia

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2018 | 15h09
Atualizado 05 Setembro 2018 | 17h16

ASSUNÇÃO - O Paraguai anunciou nesta quarta-feira, 5, o retorno imediato de sua embaixada para Tel-Aviv após a mudança para Jerusalém, feita em maio por ordem do então presidente Horácio Cartes. 

"Aquela transferência foi unilateral, visceral e sem justificativa", disse o chanceler Luis Castiglioni em uma entrevista coletiva, acrescentando que a volta "se fará de forma imediata". O ministro das Relações Exteriores disse que esperava que os amigos de Israel não ficassem irritados. 

No entanto, logo depois, Israel informou que fechará sua embaixada no Paraguai, que foi o terceiro país a mudar a delegação para Jerusalém, ao lado de Estados Unidos e Guatemala. 

"O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu instruiu o Ministério das Relações Exteriores para que encerre a embaixada israelense no Paraguai", informou a chancelaria, que é chefiada pelo próprio Netanyahu. 

Assinalou que Israel vê com gravidade a decisão excepcional do Paraguai, que perturbará as relações entre os dois países. 

Pouco depois do anúncio israelense, a Autoridade Palestina decidiu abrir "imediatamente" uma embaixada no Paraguai, informou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al Maliki, citado pela agência oficial Wafa.

"Sob as instruções de Mahmoud Abbas, o Estado da Palestina decidiu abrir imediatamente uma embaixada na capital do Paraguai, Assunção, como sinal de agradecimento pela corajosa posição do governo paraguaio", disse Maliki.

No dia 21 de maio, Cartes inaugurou a sede diplomática no interior do denominado Parque Tecnológico sem especificar os motivos dessa decisão. 

O vencedor das eleições presidenciais de abril e atual presidente paraguaio, Mario Abdo Benitez, antecipou que revisaria os motivos da mudança da sede. 

Castiglioni leu um comunicado destacando que o Paraguai considera pertinente restabelecer a sede de sua embaixada no Estado de Israel para o local anterior ao comunicado de 9 de maio de 2018, quando se confirmou a mudança. 

 

"Um dos componentes mais complexos do conflito (entre Israel e Palestina) é o estatuto de Jerusalém e, em tal contexto, o Paraguai considera que deve ser  abordado entre as partes envolvidas por meio de negociações, no marco das disposições dos organismos internacionais competentes", assinalou. 

Castiglioni lembrou que 1947, a Assembleia Geral das Nações se ocupou do tema, se referindo à sessão que determinou a criação dos dois Estados. 

"O Paraguai deu seu voto a favor do Plano de Divisão da Palestina, aprovado pela Resolução nº 181 desse organismo, no qual está contemplada a criação de dois Estados: um judeu e um árabe, assim como um regime especial internacional de corpus separatum para a Cidade Santa de Jerusalém". 

O comunicado terminou expressando que o Paraguai reafirma sua "vocação de manter excelentes vínculos de amizade e cooperação com os Estados de Israel e Palestina, com base em princípios e valores compartilhados". / AP e EFE 

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