Paraguaios levam 15 mil tratores às rodovias em protesto

Os agricultores paraguaios levaram hoje 15 mil tratores às rodovias rurais como forma de pedido ao governo que os proteja das invasões de propriedades feitas pelos sem-terra. Os líderes do agronegócio dizem que os sem-terra começaram a recorrer a ações como a queima de maquinário agrícola, armazéns e celeiros, nas últimas semanas, para pressionar o governo a dar terra aos pobres. Hector Cristaldo, presidente da associação nacional do agronegócio, pediu ajuda para os fazendeiros do país inteiro. "Nós queremos garantias de segurança, e se elas não existirem não haverá produção de grãos", disse.Os sem-terra paraguaios estão cada vez mais impacientes para que o presidente do país, Fernando Lugo, cumpra suas promessas de campanha e faça a reforma agrária. Apenas 1% da população do Paraguai controla 77% da terra arável do país. Cristaldo estima que 50 mil agricultores aderiram ao protesto de hoje. Os tratores foram enfileirados por quilômetros no acostamento das rodovias, mas não bloquearam o tráfego.Fazendeiros na vizinha Bolívia também protestaram hoje com tratores, contra a crônica falta de combustíveis, problema que, segundo eles, já prejudica a produção e poderá causar desabastecimento de alimentos no país em 2009. O protesto dos fazendeiros bolivianos ocorreu por vários quilômetros na cidade de Santa Cruz, capital do departamento (Estado) de Santa Cruz, leste do país. O departamento tem resistido aos planos do presidente boliviano Evo Morales, de redistribuir terras obtidas de maneira irregular aos pobres.Ameaças No Paraguai, os fazendeiros ameaçam usar armas para defender suas terras contra os mais de 200 grupos acampados na beirada das fazendas, prontos para invadi-las. O presidente do Paraguai estima que 200 mil famílias sem-terra têm direito legal a receber 10 hectares de terra cada uma, mas ele ainda não começou a colocar em prática seus panos para resolver o problema.Belarmino Balbuena, líder de um grupo esquerdista de camponeses no departamento nortista de San Pedro, disse hoje aos repórteres que chegou "a hora de abrir o diálogo entre o governo, o agronegócio e os sem-terra". Ele admitiu que invasões de propriedades pelos sem-terra "não são a melhor maneira para obter terras". "Mas não é justo que continuem os atrasos na reforma agrária", afirmou.Os protestos de hoje no Paraguai e na Bolívia lembraram os locautes realizados durante o 1º semestre deste ano na Argentina, onde o agronegócio protestou de maneira contundente contra o aumento da taxa sobre as exportações agrícolas, decretado pela presidente Cristina Kirchner. O governo recuou e teve que enviar o projeto de aumentar o imposto ao Congresso, onde ele foi derrubado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.