Paraguaios pressionam por revide ao Mercosul

Articulistas e manifestantes questionam se vale ficar no bloco após adesão da Venezuela

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 03h01

A imprensa paraguaia intensificou ontem a artilharia contra o Mercosul, um dia após o bloco formalizar a entrada da Venezuela no grupo à revelia do Paraguai. A manchete do jornal La Nación denunciou o "Mercosul bolivariano", afirmando que os presidentes dos países-membros tentam agora conseguir a adesão de Bolívia e Equador. O ABC Color viu na manobra diplomática o triunfo "do direito da força sobre a força do direito".

Em entrevista ao Estado, o chanceler do Paraguai, José Felix Estigarribia, disse que Assunção pretende "lutar" para permanecer no Mercosul, mas reclamou que cresce a pressão de setores da sociedade paraguaia para que o país deixe de vez o grupo.

O Paraguai foi suspenso do bloco dois dias depois da destituição relâmpago do presidente Fernando Lugo, em julho. Ao mesmo tempo que puniam Assunção, os presidentes Dilma Rousseff (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina) e José Mujica (Uruguai) autorizavam a adesão da Venezuela. Apenas o Paraguai não havia ratificado no Congresso a entrada venezuelana.

"Os culpados (pela destruição do Mercosul) são o Brasil, país que perdeu o rumo de sua liderança na região e, sobretudo, seu interesse no bloco, enquanto se propõe a ser um 'global player' com participação no Brics; e a Argentina, com uma política suicida que leva um selo característico: a soberba e a prepotência", protestou Pedro Céspedes, colunista do La Nación.

Nas ruas de Assunção, a posição sobre a entrada da Venezuela obedece a um critério: quem viu na destituição de Lugo um "golpe" é a favor da inclusão de Caracas. "Os países democráticos da região enviaram um sinal importante à turma de Federico Franco", disse Julio Domínguez, proprietário de um sebo no centro da cidade. "Golpes nunca mais." Quem apoiou a queda de Lugo, critica a medida. Dona de uma butique, Gladis Ortiz pede a saída paraguaia do bloco. "Sempre rejeitamos o chavismo e, agora que ele chegou ao Mercosul, nossa presença perdeu o sentido."

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