AP Photo/ Evan Vucci
AP Photo/ Evan Vucci

Paralisação do governo afeta segurança dos EUA, alerta FBI 

Polícia federal americana diz que continua trabalhando mesmo sem salário, mas falta de verba ameaça sua capacidade de investigar; Trump visita fronteira

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2019 | 21h01

WASHINGTON - O FBI (polícia federal americana) alertou nesta quinta-feira, 10, que a paralisação parcial do governo, que chega à terceira semana, ameaça sua capacidade de investigar e manter seu pessoal. O presidente Donald Trump viajou hoje até a fronteira com o México para defender, mais uma vez, a construção de um muro, cujo financiamento está travando a aprovação da lei orçamentária, mantendo parte do governo congelado. 

Segundo a Associação de Agentes do FBI, agentes especiais continuam trabalhando sem cobrar e a direção do FBI está fazendo tudo o que pode para financiar as operações com recursos cada vez mais limitados. “O importante trabalho que o escritório faz precisa de financiamento imediato”, afirmou a associação, em nota. 

O grupo representa cerca de 13 mil agentes especiais ativos do FBI, que investigam desde crimes violentos e crimes financeiros até espionagem e terrorismo. Em uma petição enviada à Casa Branca e aos líderes do Congresso, a associação explica que as finanças dos agentes podem sofrer prejuízos se não receberem seus salários até esta sexta-feira, 11.

“A falta de pagamento pode atrasar a obtenção e a renovação das autorizações de segurança e, em alguns casos, pode até impedir que os agentes continuem fazendo seu trabalho.” 

Mais de 400 mil funcionários públicos federais, entre eles dezenas de milhares de agentes da patrulha da fronteira e do Sindicato de Funcionários do Tesouro Nacional, moveram um processo coletivo contra o governo Trump pelo não pagamento de salários durante a paralisação, informou hoje o Washington Post. Várias agências federais interromperam o trabalho temporariamente, com o pagamento de seus funcionários atrasado de forma indefinida.

Emergência

A paralisação parcial do governo teve início no dia 22, depois que Trump rejeitou um projeto de lei orçamentário que não incluía seu pedido de US$ 5,7 bilhões para construir um muro na fronteira com o México. 

Trump deixou Washington rumo a McAllen, Texas, sem nenhuma negociação programada com líderes do Congresso. Na quarta-feira, ele abandonou uma reunião com democratas

Diante do impasse, Trump ameaçou declarar emergência nacional, abrindo caminho para conduzir o projeto sem a aprovação do Congresso. Antes de embarcar para o Texas, ele voltou a defender a ideia de usar os poderes presidenciais para o muro, uma promessa de sua campanha eleitoral. “Se isso (a negociação) não funcionar, provavelmente eu farei isso (declarar emergência). Quase diria com certeza.”

O presidente cancelou a viagem que faria ao Fórum de Davos, que será realizado entre os dias 21 e 25. “Em razão da intransigência dos democratas sobre a segurança na fronteira e a importância da segurança em nosso país, cancelo respeitosamente minha importante viagem a Davos, Suíça, para o Fórum Econômico Mundial”, escreveu no Twitter.

Cercado por oficiais da patrulha da fronteira e pilhas de drogas, dinheiro e armas apreendidos, o presidente culpou os democratas pela situação. Ele reiterou a alegação de que o México pagará indiretamente pelo muro com as revisões dos acordos comerciais com os EUA e ouviu relatos de pessoas que tiveram parentes mortos por imigrantes. 

“Se tivéssemos uma barreira de algum tipo, de concreto ou de arame, eles (imigrantes) não iam nem se dar o trabalho de tentar (cruzar a fronteira)”, disse. / AFP, NYT e W. POST 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.