Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Paralisação do governo americano impede realização de casamentos em Washington

Escritório responsável pela emissão da licença de casamento, documento para tornar as cerimônias legais, é considerado um órgão não essencial e está fechado desde o meio de dezembro; prefeita estuda solução emergencial

Redação, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2019 | 15h19

WASHINGTON - A paralisação parcial do governo federal dos Estados Unidos desde o meio de dezembro tem causado uma série de problemas, principalmente na capital, Washington, além de deixar milhares de funcionários sem salários e de causar o fechamento temporário de parques e museus.

Mas uma consequência que poucos podiam imaginar é que enquanto o governo de Donald Trump não chegar a um acordo sobre o orçamento de 2019 com seus opositores democratas também não é possível se casar, pelo menos do ponto de vista legal, na capital americana.

Casais que já tinham reservado o espaço para a cerimônia e até pago pelos arranjos florais ou cujos convidados tinham reservas em hotéis terão que se adaptar já que o Escritório de Casamentos da Corte Superior de Washington, responsável pela emissão das licenças de casamento - documento para tornar as cerimônias legais -, é um dos órgãos afetados pela paralisação. 

Apesar de o Congresso permitir que a capital americana use seu próprio orçamento para manter a operação dos serviços básicos durante a paralisação, os tribunais são custeados pelo governo federal.

E, apesar de as audiências nos tribunais e a formação de júris continuarem normalmente, o Escritório de Casamentos é considerado uma função não essencial e seu funcionamento foi suspenso - assim como a emissão da permissão de trabalho para advogados, da biblioteca judicial e das creches para funcionários públicos.

Claire O’Rourke, de 33 anos, descobriu que a Corte Superior de Washington está fechada ao acessar o site do tribunal na quarta-feira para imprimir os formulários da licença de casamento - sua cerimônia está marcada para o dia 12. 

"Nunca imaginei que este pequeno aspecto da nossa vida cotidiana estaria fora de operação justamente quando eu mais preciso dele", disse Claire, que planeja um casamento para 140 pessoas. 

"É uma coisa surpreendente que acontece nas últimas semanas, quando quase tudo já está pronto para o casamento", completou, furiosa, enquanto informava seu noivo, Sam Bockenhauer, sobre a situação usando palavras que não podem ser reproduzidas neste texto. "Pequenas inconveniências - e esse problema não é pequeno - são muito frustrantes."

Nos EUA, as leis sobre a união civil variam em cada Estado. Na capital, sem a licença um casamento não é considerado legal e o casal não tem acesso a vantagens de impostos, propriedade de bens e visitação hospitalar.

A pessoa que celebra a cerimônia também precisa de um registro no Escritório de Casamentos e Claire ainda não tem certeza se o parente que ela escolheu para conduzir seu casamento conseguiu obter essa autorização antes da paralisação.

Para sorte dela e de muitos outros casais, no entanto, as autoridades locais revogaram as penalidades por realizar um casamento sem licença há mais de uma década. Mas uma lei da capital americana ainda exige que os responsáveis pelas cerimônias enviem ao tribunal a licença de casamento assinada em até 10 dias após a celebração.

Danielle Geanacopoulos e Dan Pollock, que se apaixonaram enquanto trabalhavam para democratas no Capitólio, foram ao Escritório de Casamentos em 27 de dezembro, dois dias antes de sua cerimônia. Eles saíram sem a licença, mas decidiram seguir em frente com o casamento.

"Nós levamos na esportiva e tivemos uma grande festa com nossos amigos e parentes", disse Pollock, que celebrou as núpcias não oficiais com a hashtag #MyBigFakeGreekWedding.

Eles agora planejam uma cerimônia civil em Nova York, para onde se mudaram, ou retornarão à capital para um segundo "casamento falso". "Ei, um segundo casamento? Não faz mal, certo?", disse Pollock, que compartilhou sua história com o BuzzFeed News.

Claire espera que a paralisação do governo federal dos EUA acabe antes do próximo sábado e que ela e seu noivo consigam a licença de casamento no mesmo dia. Enquanto isso, ela tenta relaxar. "Teremos uma festa adorável com toda nossa família e nossos amigos. Faremos nossa troca de votos e assim que a corte abrir, conseguiremos a licença", disse ela.

Mas a falta da licença de casamento não é o único desafio que Claire tem que superar. O casal planejava fotografias na National Portrait Gallery é um museu de arte histórica dentro do complexo dos Museus Smithsonian, que também está fechado.

Claire diz que essa série de desafios serviu para fortalecer sua visão de que o Distrito de Columbia (DC), onde fica a capital americana, deveria se tornar um Estado. "Não temos representação no Congresso, mas o Congresso pode impedir que você obtenha uma licença de casamento", disse ela.

Com a falta de perspectiva sobre a paralisação do governo, a prefeita de DC, a democrata Muriel Bowser, pretende apresentar uma lei emergencial que permitiria à cidade continuar emitindo licenças de casamento durante uma paralisação do governo.

"Assim como o Grinch não pode roubar o Natal, a paralisação federal não pode parar o amor", disse John Falcicchio, seu chefe de gabinete. / THE WASHINGTON POST

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