Leigh Vogel/The New York Times
Leigh Vogel/The New York Times

Paralisação do governo americano pode sair tão cara quanto muro de Trump 

Custo do shutdown chega a US$ 1,2 bilhão por semana à economia americana

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2019 | 22h20

WASHINGTON - Com 800 mil funcionários públicos afetados, um quarto dos empregados federais, a paralisação parcial do governo americano custa US$ 1,2 bilhão por semana à economia. Segundo especialistas, se continuar assim por mais duas semanas, o bloqueio terá custado aos Estados Unidos tão caro quanto o muro de US$ 5,7 bilhões que o presidente Donald Trump quer construir na fronteira com o México. 

O atual fechamento parcial do governo americano já é o mais longo da história dos Estados Unidos e freia a cada dia um pouco mais a expansão da primeira economia mundial.

A maior parte dos bloqueios administrativos - houve 21 "shutdowns" desde 1976 - foi muito curta para ter um impacto no crescimento. Mas é mais difícil prever o que vai acontecer desta vez, já que o fechamento se mantém há três semanas.

"À medida que se prolonga o bloqueio, aumenta o sofrimento", declarou à France Presse Beth Ann Bovino, economista-chefe da agência de classificação de risco S&P Global Ratings. 

Trump rejeita assinar o orçamento para financiar o governo federal se não forem incluídos os recursos para pagar a construção do muro, algo que os democratas se opõem. Nem o presidente, nem a oposição, que domina a Câmara dos Deputados, parecem dispostos a ceder nesta queda de braço.

Embora os "shutdowns" de 1995 e 2013 tenham demonstrado que a economia podia se recuperar rapidamente uma vez superado o bloqueio orçamentário, a paralisação do governo federal tem um efeito negativo em muitos assuntos além dos salários dos funcionários, que costumam receber retroativamente quando volta o financiamento.

Efeito dominó 

À espera de uma saída para a disputa entre o presidente e os democratas, os agricultores, lastreados pela guerra comercial empreendida por Trump, não cobram a ajuda prometida pelo governo e não recebem as subvenções para a compra de sementes e ração para os animais.

As famílias mais pobres podem ficar sem uma ajuda alimentar a partir do fim de fevereiro. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) pediu aos bancos que sejam compreensivos e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano solicitou aos proprietários que não expulsem seus inquilinos menos favorecidos, que recebem subvenções do governo federal para pagar o aluguel.

As inspeções sanitárias foram suspensas, o organismo que supervisiona a Bolsa, a SEC, deixou de tramitar os documentos de entrada na Bolsa e a concessão de permissões para exploração de petróleo e gás foi atrasada.

Os trabalhadores terceirizados perdem US$ 200 milhões por dia, segundo uma estimativa da agência de notícias Bloomberg News.

A paralisação do governo tem um forte impacto para os 380 mil trabalhadores federais que estão em uma situação de desemprego forçado e também para os outros 420 mil, cujo trabalho se considera "essencial" para o funcionamento do Estado e que trabalham, portanto, sem receber salário.

Segundo a imobiliária americana Zillow, estes funcionários devem pagar quase US$ 438 milhões por mês em aluguéis e empréstimos hipotecários.

Em alguns bairros da capital, Washington, onde vive cerca de 20% da mão-de-obra federal, os restaurantes estão vazios, os táxis inativos e os veículos se deslocam sem engarrafamentos.

Yingrui Huang, engenheiro de uma empresa terceirizada em um centro da Nasa em Maryland, disse que sua empresa, que normalmente constrói satélites meteorológicos e telescópicos para o governo, está fechada até segunda ordem.

Enquanto isso, este engenheiro optou por dirigir para a plataforma de reserva de veículos com motorista Lyft. 

Mas diz estar preocupado por seus colegas que cobram por hora, como os zeladores ou secretários. "Seus salários são muito inferiores aos da maioria dos engenheiros e não estão sob os holofotes, nem ninguém está pensando neles", disse. / AFP 

 

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